A União Europeia voltou a manifestar preocupação com os rumos da COP30, destacando que a conferência pode terminar sem consenso após a divulgação de um novo rascunho que eliminou referências ao abandono dos combustíveis fósseis. A reação negativa se intensificou entre delegações que defendem metas mais ambiciosas para enfrentar a crise climática.
Pressão internacional cresce na COP30
O comissário europeu para o Clima, Wopke Hoekstra, afirmou que o atual documento apresentado pela presidência brasileira não atende ao nível de urgência esperado nas negociações. Segundo ele, a distância entre o que está proposto e o que os países europeus consideram necessário é significativa, o que abre espaço para que a COP30 termine sem acordo.
A insatisfação não se limitou ao bloco europeu. Um grupo de aproximadamente 30 países, liderado pela Colômbia, também cobrou mudanças imediatas no texto. A ministra colombiana do Meio Ambiente, Irene Vélez, declarou que as delegações esperam um “roteiro claro, justo e equitativo” para a eliminação gradual de petróleo, gás e carvão. Em pronunciamento à imprensa, cercada por ministros e negociadores, ela reforçou que as nações presentes não buscam um documento genérico, mas compromissos efetivos.
Reações de outros governos ao rascunho
A exclusão de qualquer menção aos combustíveis fósseis mobilizou diversos aliados da União Europeia dentro da COP30. A Espanha foi uma das nações que expressaram desconforto com o texto. Para Sara Aagesen, ministra da Transição Ecológica, ainda há margem para aperfeiçoar o documento antes do encerramento oficial da conferência.
Enquanto isso, a Colômbia anunciou que realizará uma conferência internacional dedicada ao tema da eliminação dos combustíveis fósseis. O evento está previsto para os dias 28 e 29 de abril, na cidade de Santa Marta, e deve reunir autoridades e especialistas de diferentes países para discutir soluções e compromissos globais.
Incêndio atrasa trabalhos e aumenta tensão na COP30
A COP30, sediada em Belém, segue para o encerramento em meio a um clima de tensão. A conferência precisou ser interrompida no dia anterior após um incêndio atingir parte da área dos pavilhões, o que levou ao fechamento temporário do local. O incidente atrasou negociações e intensificou a preocupação de delegações que aguardam a revisão urgente do rascunho final.
Com divergências profundas sobre o futuro dos combustíveis fósseis e críticas contundentes ao rascunho atual, a COP30 enfrenta um dos momentos mais delicados da conferência. A pressão internacional aumenta enquanto os países tentam evitar que o encontro termine sem um acordo capaz de sinalizar avanços concretos.

