*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O Tribunal do Júri de Cuiabá proferiu uma sentença de 37 anos de prisão contra o ex-policial militar Almir Monteiro dos Reis na última quinta-feira, dia 25 de setembro. A decisão, conduzida pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal, considerou o réu culpado pela morte da advogada Cristiane Tirloni, em agosto de 2023.

A condenação de Almir se deu pelos crimes de:
-Feminicídio Qualificado (motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima) – 36 anos de reclusão.
-Estupro de Vulnerável – pena inclusa na reclusão.
-Fraude Processual – 1 ano de detenção.
-Pagamento de 20 dias-multa.
O ex-PM, que foi absolvido da acusação de ocultação de cadáver, deverá iniciar o cumprimento da pena em regime fechado e não terá o direito de recorrer em liberdade.
Em nota, a família de Cristiane Tirloni se manifestou:
“Entendemos que este é um passo importante para encerrar um ciclo de dor, preservando a memória de Cristiane como mulher, amiga, mãe, filha, irmã e profissional exemplar. Sua vida será sempre lembrada por todos que tiveram a oportunidade de conhecê-la.”
A LINHA DO TEMPO DO CRIME E DA INVESTIGAÇÃO
O julgamento, que contou com a participação presencial do réu, teve o depoimento de quatro das sete testemunhas arroladas, incluindo o delegado Ricardo Franco, responsável pela investigação, e uma perita criminal. A cronologia dos fatos, desde o desaparecimento da advogada até a prisão do assassino, revela a brutalidade do crime e as tentativas de acobertamento:
12 de agosto de 2023: encontro e desaparecimento: A advogada Cristiane Tirloni é vista pela última vez após conhecer o ex-PM Almir Monteiro em um bar de Cuiabá. Os dois deixam o local juntos no carro da vítima.
PÓS-ENCONTRO: O assassinato brutal: O réu assassina a advogada por asfixia. O corpo apresentava sinais de espancamento e a vítima foi submetida a violência sexual.
BUSCAS E DESCOBERTA: Corpo encontrado: O corpo de Cristiane é encontrado pelo próprio irmão, dentro do veículo dela, abandonado no Parque das Águas.
INVESTIGAÇÃO IMEDIATA: Localização do suspeito: O aplicativo de rastreamento do carro da vítima se torna a peça-chave, apontando a casa do ex-PM como o último local onde Cristiane esteve.
CHEGADA DA POLÍCIA: tentativa de fraude processual: A casa de Almir já havia sido limpa com creolina e sabão em pó. A polícia encontra lençóis e travesseiros ensanguentados e molhados na máquina de lavar.
PERÍCIA: provas do crime: O exame de Luminol confirma a tentativa de limpeza, revelando manchas de sangue no quarto, sala e na saída da residência.

PRIMEIRO INTERROGATÓRIO: contradições e negação: Almir nega o assassinato, alegando que Cristiane teria caído e batido a cabeça. As provas periciais confrontam rapidamente sua versão.
O HISTÓRICO DO ASSASSINO
O histórico do ex-PM, inclui expulsão da corporação após acusações de assalto a um posto de combustíveis e de integrar uma organização criminosa em 2013.
ESQUIZOFRENIA
Um ponto de debate no caso foi o laudo de esquizofrenia do réu. Em 2022, a Justiça chegou a determinar a internação de Almir após ser absolvido em outro processo por conta do transtorno. No entanto, devido à falta de vaga no Hospital Adauto Botelho, a medida de segurança foi convertida em acompanhamento ambulatorial, o que permitiu que ele estivesse em liberdade no momento em que cometeu o feminicídio.

