Os Estados Unidos oficializaram nesta segunda-feira, 24, a inclusão do Cartel de los Soles na lista de organizações terroristas estrangeiras. A medida, segundo autoridades norte-americanas, mira integrantes do governo de Nicolás Maduro e busca intensificar a pressão internacional sobre Caracas. O anúncio aprofunda tensões diplomáticas e reacende debates sobre segurança regional e narcotráfico.
Cartel de los Soles entra na lista de terroristas estrangeiros
A decisão dos EUA representa um dos instrumentos mais rígidos da política antiterrorista do Departamento de Estado. Com a formalização, o Cartel de los Soles passa a estar sujeito a sanções adicionais, que incluem bloqueio de bens e restrições financeiras destinadas a enfraquecer atividades consideradas ligadas ao narcotráfico internacional.
Autoridades americanas afirmam que figuras de alto escalão do governo venezuelano estariam associadas ao grupo. Entre elas, o presidente Nicolás Maduro, que nega categoricamente qualquer ligação com operações ilícitas. O governo venezuelano insiste que o Cartel de los Soles “não existe” como organização estruturada e classificou como “absurda” a iniciativa norte-americana.
Ampliação de sanções e possibilidades estratégicas
A formalização da designação, anunciada inicialmente em 16 de novembro, não autoriza diretamente o uso de força letal pelos Estados Unidos. No entanto, segundo membros da administração norte-americana, o novo enquadramento amplia ferramentas de coerção e abre espaço para ações mais robustas dentro do território venezuelano, caso sejam consideradas necessárias.
Um funcionário do governo dos EUA, sob condição de anonimato, afirmou que a Casa Branca espera que o aumento da pressão leve Maduro a deixar o cargo sem a necessidade de intervenção militar. O presidente Donald Trump, segundo relatos, demonstra interesse em buscar soluções diplomáticas e alegou que Maduro estaria disposto a dialogar “em algum momento”.
Cenário militar na região
Dias antes da formalização, os Estados Unidos realizaram uma das maiores demonstrações militares próximas ao território venezuelano. De acordo com análises da CNN, seis aeronaves, incluindo modelos F/A-18E e B-52, sobrevoaram áreas próximas à costa do país. A movimentação foi interpretada como um recado direto ao governo de Caracas em meio ao aumento das tensões.
No fim de semana seguinte, três companhias aéreas internacionais suspenderam voos com origem na Venezuela após um alerta da Administração Federal de Aviação dos EUA, que mencionou uma “situação potencialmente perigosa” no espaço aéreo venezuelano.

