O omeprazol, um dos medicamentos mais consumidos no Brasil para tratar azia, refluxo e gastrite, está no centro de um novo alerta médico. Um estudo publicado na revista Neurology revelou que o uso contínuo desse remédio e de outros inibidores da bomba de prótons (IBPs) por mais de quatro anos pode aumentar significativamente o risco de demência em idosos.
Uso prolongado de omeprazol requer maior atenção médica
Os inibidores da bomba de prótons, como o omeprazol, pantoprazol e esomeprazol, são eficazes no tratamento de distúrbios gástricos, mas novas evidências indicam que o uso prolongado pode ter impactos preocupantes na saúde cognitiva.
A pesquisa conduzida por especialistas da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, acompanhou 5.712 adultos com média de 75 anos durante cerca de 4,4 anos. O resultado mostrou que o uso contínuo desses medicamentos por mais de quatro anos elevou em até 33% a probabilidade de desenvolvimento de demência.
Segundo a médica Kamakshi Lakshminarayan, coautora do estudo, embora a pesquisa não comprove uma relação direta de causa e efeito, os dados são suficientes para acender um alerta entre profissionais de saúde e pacientes. Ela ressalta que é essencial o acompanhamento médico constante para quem faz uso prolongado desses medicamentos.
Histórico de pesquisas reforça alertas sobre o uso de IBPs
A preocupação com o uso de omeprazol e medicamentos semelhantes não é recente. Estudos anteriores já haviam apontado possíveis relações entre os IBPs e outros problemas de saúde, como insuficiência renal, deficiência de vitamina B12 e aumento do risco de fraturas ósseas em idosos.
Entretanto, o estudo divulgado em 2023 é um dos primeiros a estabelecer uma conexão relevante entre o uso prolongado e a perda de funções cognitivas. Entre os participantes analisados, aqueles que nunca utilizaram os inibidores da bomba de prótons apresentaram menor incidência de demência do que os usuários regulares.
Automedicação com omeprazol amplia os riscos
No Brasil, o omeprazol é facilmente encontrado nas farmácias e, muitas vezes, utilizado sem prescrição médica. Esse comportamento aumenta os riscos observados nas pesquisas, já que o uso sem acompanhamento impede a identificação precoce de efeitos colaterais.
Médicos alertam que o medicamento deve ser administrado apenas sob orientação profissional e, preferencialmente, por períodos limitados. Quando há necessidade de tratamentos longos, é fundamental realizar reavaliações periódicas e considerar alternativas terapêuticas, especialmente entre pessoas idosas, mais suscetíveis a doenças neurológicas.
Profissionais da saúde discutem novas práticas clínicas
Com a divulgação dessas evidências, cresce entre os especialistas o debate sobre a revisão dos protocolos médicos relacionados ao omeprazol e aos demais IBPs. A recomendação é evitar o uso contínuo e buscar métodos menos invasivos no tratamento de refluxo e gastrite, com foco na preservação da saúde cerebral.
Além disso, instituições de saúde têm defendido políticas preventivas voltadas à população idosa, visando reduzir fatores de risco para demência e promover maior conscientização sobre o uso racional de medicamentos.

