O aumento de casos de suicídio entre agricultores gaúchos tem gerado grande preocupação em todo o Rio Grande do Sul. No final de setembro, um produtor rural de Humaitá tirou a própria vida após perder o trator que utilizava para trabalhar. Endividado e sem conseguir acordo com o banco, o agricultor não suportou a pressão quando oficiais chegaram para apreender o maquinário — seu principal instrumento de sustento.
O caso ganhou repercussão e levantou novamente o debate sobre a falta de políticas eficazes para enfrentar a crise que atinge o setor agrícola gaúcho. Somente em 2025, já foram registrados mais de 25 suicídios entre trabalhadores do campo no estado, quase o dobro da média nacional.
Endividamento e abandono agravam situação no campo
O produtor de Humaitá deixa uma esposa e dois filhos pequenos — um bebê de apenas dois meses e uma criança de sete anos. A tragédia não é um episódio isolado, mas parte de um cenário que tem se repetido em várias regiões rurais do país.
De acordo com o movimento SOS Agro RS, a taxa de suicídios entre agricultores e produtores rurais brasileiros chega a 20,5 por 100 mil habitantes, número quase duas vezes superior à média nacional. A entidade alerta que fatores como endividamento, isolamento, mudanças climáticas, perda de safras e falta de assistência psicológica estão entre as principais causas desse aumento.
Impactos econômicos e sociais sobre os agricultores gaúchos
As condições climáticas extremas têm agravado o cenário. No Rio Grande do Sul, secas e enchentes causaram perdas bilionárias, levando muitos agricultores gaúchos ao limite financeiro. Com a produção comprometida e as dívidas acumulando, muitos produtores relatam a sensação de impotência e desespero diante da falta de apoio governamental.
Entre 2010 e 2019, o Brasil registrou mais de 1.500 suicídios relacionados à ingestão de defensivos agrícolas. Em algumas localidades, como Caicó (RN), estudos indicam que mais de 12% dos agricultores apresentaram ideação suicida, revelando a gravidade do problema em todo o país.
Movimentos cobram ações urgentes do governo
Diante desse cenário, o movimento SOS Agro RS tem realizado manifestações, como o conhecido “tratoraço”, exigindo medidas concretas do governo federal. As reivindicações incluem linhas de crédito mais acessíveis, renegociação de dívidas antigas e programas de apoio psicológico voltados ao homem do campo.
A entidade reforça que a crise rural ultrapassa questões econômicas: trata-se também de um colapso emocional e social, que ameaça a vida de quem sustenta a base da alimentação brasileira.

