O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou nesta sexta-feira (29) o envio de uma carta ao secretário-geral da ONU, António Guterres. O documento relata preocupações do governo venezuelano diante da presença de navios de guerra norte-americanos no sul do Caribe e acusa os Estados Unidos de promoverem uma escalada de tensões na região.
Maduro aciona a ONU contra ações militares dos EUA
Na mensagem divulgada, Maduro afirma que não se pode aceitar, no século XXI, o retorno de “políticas de força” que coloquem em risco a estabilidade internacional. O ditador venezuelano utilizou suas redes sociais para reforçar o posicionamento, destacando que a presença militar norte-americana no Caribe representa, segundo ele, uma ameaça direta à paz e à segurança global.
A crise diplomática ganhou novo fôlego após declarações do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que reafirmou em 27 de julho a decisão de Washington de não reconhecer Maduro como presidente legítimo da Venezuela. Desde 2024, o governo norte-americano sustenta que o vencedor das eleições presidenciais foi o opositor Edmundo González Urrutia, e não Maduro.
Além de questionar a legitimidade política, Rubio associou Maduro ao Cartel de Los Soles, apontado como uma rede de narcotráfico que atua na Venezuela. A acusação coincidiu com o anúncio da Casa Branca de que a recompensa por informações que levem à prisão ou condenação do presidente venezuelano aumentou para US$ 50 milhões.
Apoio regional e divergências
Diversos países da América do Sul, como Argentina, Paraguai, Equador, Guiana e Trinidad e Tobago, declararam apoio à designação do Cartel de Los Soles como organização terrorista. No entanto, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, negou a existência da facção, indo na contramão da posição defendida pelos Estados Unidos, que apontam denúncias contra o grupo desde os anos 1990.

