*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O serviço de fornecimento de energia elétrica pela concessionária Energisa em Mato Grosso foi alvo de duras críticas por parte do presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo. O conselheiro não poupou palavras ao classificar a qualidade do serviço como “péssima” e alertou que a situação está travando o desenvolvimento econômico do estado.
Sérgio Ricardo afirmou que a empresa não está cumprindo as obrigações contratuais de sua concessão, que se estende por 30 anos.
“É de péssima qualidade a energia fornecida pela Energisa. A Energisa não obedece o que está no contrato de 30 anos de concessão. Há trinta anos que ela recebeu essa concessão e ela não obedece,” disparou o conselheiro.
CRÍTICAS FOCADAS NO DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL
O ponto central da crítica de Sérgio Ricardo reside na infraestrutura energética deficiente, que impede a atração de investimentos e a industrialização do estado. Ele destacou que mesmo em áreas cruciais como a capital e regiões industriais, o fornecimento é inadequado.
“Aqui em Cuiabá, no próprio Distrito Industrial, a energia elétrica é de péssima qualidade. Pouquíssimos municípios no estado de Mato Grosso têm energia trifásica. Não tem como uma indústria se instalar se não tiver energia trifásica. Não tem como Mato Grosso se desenvolver se não for pela industrialização que gera emprego,” enfatizou.
Para o presidente do TCE-MT, essa falha na infraestrutura de energia tem uma grande culpa no fato de Mato Grosso permanecer como um “estado sem indústria”, perpetuando um modelo que concentra riqueza e distribui pobreza.
“Mato Grosso tem que dar uma virada de chave. Temos que pensar no futuro, porque o estado não vai para lugar nenhum com a concentração de riqueza e a distribuição da pobreza. Mato Grosso é um estado rico, cada vez mais pobre,” lamentou, citando o crescimento de áreas de vulnerabilidade social na capital.
CONTRATO DE CONCESSÃO PERTO DO FIM
As fortes declarações do conselheiro vêm à tona em um momento crucial para o futuro do fornecimento de energia em Mato Grosso. O contrato de concessão de 30 anos da Energisa está caminhando para o fim, com o vencimento previsto para 2027.
O debate se torna urgente porque a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) tem até abril de 2026 para tomar uma decisão fundamental: renovar o contrato por mais 30 anos ou não.

