O Ministério Público de São Paulo apresentou um novo pedido de prisão contra o dono da Ultrafarma, Sidney Oliveira. A solicitação ocorreu depois que o empresário não quitou a fiança de R\$ 25 milhões, valor estipulado pela Justiça para garantir sua liberdade provisória em um processo que apura um suposto esquema de corrupção.
Enquanto a defesa de Mario Otavio Gomes, executivo da Fast Shop, conseguiu a suspensão da fiança de mesmo valor junto à 11ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), o recurso de Sidney Oliveira não obteve êxito. Na última segunda-feira, o juiz Paulo Fernando Deroma De Mello negou o pedido do dono da Ultrafarma, argumentando que a exigência da fiança era necessária diante da gravidade do caso investigado.
O dono da Ultrafarma teve a soltura imposta mediante fiança
Na semana anterior, a Justiça havia autorizado a soltura do dono da Ultrafarma e do diretor da Fast Shop mediante o pagamento da fiança definida. Ambos foram detidos durante a operação do MP-SP que apura um esquema de corrupção envolvendo auditores fiscais e empresários de grandes redes varejistas.
O auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, apontado como peça central no funcionamento do esquema, teve sua prisão convertida em preventiva após o término da prisão temporária. A promotoria destacou, entre as provas, uma carta encontrada em sua residência.
Outro auditor citado na investigação, Marcelo de Almeida Gouveia, continua preso. Já Tatiane de Conceição Lopes, suspeita de atuar na lavagem de dinheiro, obteve prisão domiciliar, enquanto seu marido, Celso Éder Gonzaga de Araújo, permanece sob custódia.
De acordo com o MP-SP, Artur Gomes da Silva Neto tinha controle sobre um complexo sistema de ressarcimento de valores tributários, possibilitando que empresas recebessem montantes de forma ilícita. O esquema teria movimentado cerca de R$ 1 bilhão em propinas.
Além do dono da Ultrafarma, Sidney Oliveira, e do executivo da Fast Shop, também foram presos temporariamente Celso Éder Gonzaga de Araújo e sua esposa, Tatiane, acusados de atuar na lavagem de dinheiro. Durante as buscas, autoridades encontraram mais de R$ 1 milhão em espécie e sacos com pedras preciosas na residência do casal.
Posicionamento dos envolvidos
A defesa de Sidney Oliveira declarou que ainda não teve acesso completo ao processo e destacou que o empresário celebrou recentemente um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) com o Ministério Público em outro caso. Esse acordo previa o pagamento de R$ 32 milhões, valor relacionado a uma dívida com a Fazenda estadual.
As defesas de Mario Otavio Gomes e de Artur Gomes Neto não haviam se pronunciado até o momento. A assessoria da Ultrafarma também foi procurada, mas não retornou. A Fast Shop informou que está colaborando com as autoridades, mas ressaltou que não teve acesso ao conteúdo da investigação.
A Secretaria da Fazenda de São Paulo informou que instaurou um procedimento administrativo para apurar a conduta de servidores suspeitos de envolvimento no caso. O órgão não especificou se os auditores foram afastados de suas funções.

