O dólar registrou alta significativa nesta segunda-feira (2), impulsionado pelo agravamento do conflito no Oriente Médio e pela maior busca de investidores por ativos considerados mais seguros. Por volta das 13h, a moeda norte-americana avançava 1,25%, sendo negociada a R$ 5,1982, após atingir a máxima de R$ 5,2142 no decorrer do dia. No mesmo horário, o Ibovespa apresentava queda de 0,35%, aos 188.119 pontos.
Dólar reage à escalada no Oriente Médio
A valorização do dólar ocorre em meio ao aumento das tensões após ofensivas militares conduzidas pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã. A operação resultou na morte do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, além de outras autoridades do país. Em resposta, Teerã intensificou ataques na região.
Na sequência dos confrontos, Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait e Arábia Saudita informaram que também foram atingidos. Em pronunciamento divulgado pela Casa Branca, o presidente norte-americano, Donald Trump, declarou que as ações seguem em andamento e continuarão até que os objetivos estabelecidos sejam alcançados.
O cenário ampliou a percepção de risco global, provocando movimentação de capital para ativos considerados mais seguros, como o dólar, enquanto bolsas de valores passaram a operar em território negativo.
Petróleo em disparada
A intensificação da crise militar provocou forte reação no mercado de energia. O barril do petróleo Brent, referência internacional, avançava 7,59% perto das 13h, sendo cotado a US$ 78,4. Já o West Texas Intermediate (WTI) subia 6,43%, alcançando US$ 71,33.
Na abertura dos mercados, as altas chegaram a ser ainda mais expressivas, refletindo o impacto imediato das notícias relacionadas ao conflito e à morte do líder iraniano. A preocupação central dos investidores envolve o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido mundialmente.
A possibilidade de interrupções no fluxo marítimo elevou os preços da commodity, que já vinha acumulando valorização nas últimas semanas devido ao prêmio de risco geopolítico incorporado às cotações.
Além do petróleo, o gás natural também apresentou avanço expressivo. Na Europa, o contrato futuro do TTF holandês, referência no continente, subia mais de 40%, chegando a 45,105 euros. O aumento reflete o temor de que o conflito comprometa exportações de gás natural liquefeito do Golfo, especialmente do Catar.
Impactos no Brasil e nos mercados globais
No mercado brasileiro, as ações da Petrobras registravam alta de 4,04% no início da tarde, acompanhando a valorização do petróleo no exterior. Apesar disso, o avanço da estatal não foi suficiente para reverter a queda do Ibovespa, pressionado pela aversão ao risco.
A elevação do preço do barril tende a favorecer empresas do setor de energia, que comercializam seus produtos com base nas cotações internacionais. Entretanto, especialistas apontam que a Petrobras também importa derivados, como o diesel, fator que pode gerar impactos adicionais caso o conflito se prolongue.
Nos Estados Unidos, os principais índices acionários operavam em baixa. O Dow Jones recuava 0,36%, o S&P 500 registrava queda de 0,28% e o Nasdaq Composite apresentava desvalorização de 0,20%.
Na Europa, as perdas eram mais acentuadas. O índice Stoxx 600 caía 1,36%. Em Frankfurt, o DAX recuava 2,19%, enquanto o FTSE 100, de Londres, perdia 1,23%. Em Paris, o CAC 40 registrava baixa de 2,03%.
Na Ásia, o desempenho foi misto. O índice de Xangai encerrou o dia com alta de 0,5%, atingindo o maior patamar desde junho de 2015. Em contrapartida, o Nikkei, do Japão, caiu 1,3%. Em Taiwan, o TAIEX recuou 0,90%, enquanto o Straits Times, de Cingapura, apresentou queda de 2,32%.
Indicadores econômicos entram no radar
No cenário doméstico, investidores acompanham a divulgação do relatório Focus, que reúne as projeções do mercado financeiro para inflação, crescimento econômico e taxa de juros. Também está prevista para esta terça-feira a publicação dos dados do Produto Interno Bruto (PIB) de 2025.
A combinação entre incertezas externas e divulgação de indicadores internos mantém o dólar e o mercado acionário brasileiro sob influência direta do ambiente internacional.

