A situação dos presos políticos na Venezuela voltou ao centro do debate internacional após a divulgação de novas libertações realizadas de forma discreta pelo regime. De acordo com informações da ONG Foro Penal, ao menos 24 detentos deixaram a prisão na madrugada desta segunda-feira (12), em meio a um cenário de instabilidade política e pressão externa, sem que houvesse qualquer anúncio oficial por parte das autoridades venezuelanas.
Libertações registradas pelo Foro Penal
A organização não governamental Foro Penal informou que as solturas ocorreram durante uma operação realizada nas primeiras horas do dia. Segundo a entidade, os libertados estavam detidos em diferentes centros prisionais, entre eles La Crisálida e El Rodeo 1, locais conhecidos por abrigar opositores do regime e cidadãos estrangeiros.
O governo venezuelano afirma ter libertado 116 detentos desde a semana anterior. No entanto, entidades independentes que monitoram a situação carcerária no país contestam esses números, afirmando que não há transparência suficiente para confirmar a quantidade total de libertações.
Detentos venezuelanos e estrangeiros entre os libertados
Entre os nomes divulgados pelo Foro Penal estão Andrés Martínez Adasme, Ernesto Gorbe, José María Basoa, Miguel Moreno Dapena e Rocío San Miguel, cidadã hispano-venezuelana reconhecida por sua atuação crítica ao governo. Também foi confirmada a libertação do cidadão italiano Alberto Trentini, reforçando a presença de estrangeiros entre os presos políticos detidos no país.
A ONG destacou ainda que continua apurando se outras solturas ocorreram ao longo do dia, já que familiares e advogados relatam movimentações atípicas em unidades prisionais.
Declaração oficial da ONG sobre presos políticos
O presidente do Foro Penal, Alfredo Romero, declarou que as informações confirmadas até o momento indicam a libertação de pelo menos 24 pessoas. Segundo ele, nove mulheres deixaram a prisão de Las Crisálidas, enquanto 15 homens foram libertados do complexo penitenciário Rodeo I.
Apesar dessas ações, os dados da organização apontam que o número de presos políticos na Venezuela permanece elevado. Até o final da semana passada, apenas 17 detentos haviam sido soltos. Com as novas libertações, a estimativa atual é de que ao menos 803 pessoas continuem privadas de liberdade por motivações políticas.
Pressão internacional e falta de transparência
As recentes solturas acontecem em um contexto de forte pressão externa sobre o regime venezuelano. Familiares de presos políticos têm se concentrado em frente às principais prisões do país, aguardando informações sobre possíveis libertações. Mesmo assim, o governo não divulgou listas oficiais, critérios claros ou comunicados públicos detalhando quem seria beneficiado pelas medidas.
Organizações de direitos humanos apontam que a ausência de informações oficiais dificulta a verificação independente dos números apresentados pelo regime e aumenta a insegurança das famílias dos detentos que ainda aguardam notícias.
Reunião no Vaticano destaca crise venezuelana
Ainda nesta segunda-feira, o Vaticano confirmou que o papa Leão XIV recebeu a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado. Embora a Santa Sé não tenha divulgado detalhes do encontro, a expectativa é de que a reunião tenha abordado temas centrais da crise no país.
Entre os assuntos que devem ter sido discutidos estão a repressão a opositores, o agravamento das condições sociais, as tensões internacionais e a situação dos presos políticos, tema recorrente em manifestações de entidades religiosas e organizações internacionais.

