*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O deputado estadual Gilberto Cattani (PL) utilizou suas redes sociais para criticar a vereadora Maysa Leão (Republicanos) por expor publicamente uma adolescente de 16 anos, vítima de estupro, durante uma audiência pública na Câmara Municipal de Cuiabá. A fala da menor foi transmitida ao vivo pelo canal do Legislativo, gerando repercussão e um debate sobre a proteção de crianças e adolescentes. O deputado, afirmou que estuda as providências cabíveis diante do ocorrido.
Cattani classificou o ocorrido como “muito lamentável”, ressaltando que a exposição da vítima contraria o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Ele argumentou que a atitude da vereadora agrava o trauma da adolescente, já que sua história foi exposta publicamente.
“Essa criança vai crescer com as outras pessoas sabendo tudo isso que aconteceu com ela, agravando muito o seu trauma para a vida toda”, disse o deputado. Ele rebateu a justificativa de que a exposição teria sido para “dar um rosto ao problema”, afirmando que Maysa deu à jovem um rosto que será lembrado por vizinhos e parentes para sempre. “É por isso que é crime. Isso agrava e muito o problema dela”, concluiu.
O deputado ainda defende que o caso seja apurado com vigor: “Nós vamos tomar todas as medidas possíveis para que os fatos sejam de fato apurados”, prometeu Cattani. Ele aproveitou a oportunidade para defender uma medida extrema contra os criminosos. “Quanto ao crime em si de estupro, a nossa opinião sempre foi de que essas pessoas que cometem esse absurdo com as nossas mulheres ou com as nossas crianças, como for, devem ser castrados para que nunca mais se repita esse ato horrendo”, declarou.
Após a repercussão negativa, a vereadora Maysa Leão emitiu uma nota oficial. No comunicado, ela reafirmou seu compromisso com a proteção de vítimas de violência e alegou que a jovem se inscreveu para falar de forma espontânea. Segundo a nota, ao saber da idade da adolescente, a equipe da vereadora verificou se havia autorização do responsável legal e acompanhamento de uma psicóloga.
Maysa defendeu que a fala da jovem em um ambiente seguro, com apoio técnico e de autoridades, reforça o direito de adolescentes vítimas de violência de serem ouvidos, conforme a Lei nº 13.431/2017 e o ECA. Ela negou ter induzido o depoimento da vítima e afirmou que, após o evento, solicitou a retirada do vídeo do YouTube para proteger a imagem e a segurança da jovem.
A vereadora encerrou a nota criticando a repercussão do caso, que, em sua visão, se tornou um “ataque político” e um “desrespeito à dor de uma jovem que teve coragem de falar em um espaço democrático”.
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