O delegado Rodrigo de Melo Teixeira, ex-superintendente da Polícia Federal em Minas Gerais, foi preso nesta quarta-feira (17) em uma operação que investiga crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e mineração ilegal. Ele ficou conhecido nacionalmente por conduzir, no início, o inquérito sobre a facada de Bolsonaro, durante a campanha eleitoral de 2018.
Prisão por suspeita de corrupção
A Polícia Federal confirmou a prisão de Rodrigo de Melo Teixeira na operação “Rejeito”, que desarticulou uma rede criminosa ligada à extração irregular de minério em áreas protegidas. De acordo com as investigações, o delegado seria sócio de uma empresa usada para negociar direitos minerários.
O diretor de Crimes contra a Amazônia da PF, Humberto Freire, destacou que a corporação não compactua com desvios internos. “Infelizmente, tivemos mais um delegado atingido em operação, mas a instituição continua firme em seu compromisso de investigar todos os envolvidos”, afirmou em coletiva.
A facada de Bolsonaro em Minas Gerais
Rodrigo Teixeira se tornou conhecido ao assumir o inquérito que apurou a facada de Bolsonaro em Juiz de Fora, Minas Gerais, episódio que marcou a campanha presidencial de 2018. Poucos meses depois, em fevereiro de 2019, ele foi exonerado do cargo de superintendente da PF em Minas, já durante o governo Bolsonaro.
Além desse caso, o delegado também esteve à frente das primeiras apurações sobre o rompimento da barragem de Brumadinho, uma das maiores tragédias ambientais do país.
A operação desta quarta-feira revelou um esquema sofisticado de corrupção envolvendo empresários, servidores públicos e políticos. O grupo mantinha atividades de mineração ilegal em áreas como a Serra do Curral, em Belo Horizonte, e a Serra de Botafogo, em Ouro Preto.
As investigações apontam a participação de integrantes do alto escalão da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e de membros da Agência Nacional de Mineração (ANM).
Trajetória profissional de Rodrigo Teixeira
Delegado da Polícia Federal desde 1999, Rodrigo é formado em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e possui especializações em gestão e segurança pública. Em sua carreira, ocupou funções de liderança em diferentes setores da PF e também exerceu cargos na administração pública de Minas Gerais.
Após deixar a superintendência da PF, atuou como secretário adjunto de Segurança em Belo Horizonte, na gestão de Alexandre Kalil, e como diretor de Polícia Administrativa da instituição. Mais recentemente, ocupava o cargo de diretor de Administração e Finanças do Serviço Geológico do Brasil.
Em nota, o Serviço Geológico do Brasil informou que não comenta processos em andamento, mas reafirmou o compromisso com ética e legalidade. Já a ANM declarou que não recebeu notificação oficial da PF e ressaltou que seguirá colaborando com as autoridades. O governo de Minas e a Semad ainda não se pronunciaram sobre as denúncias.

