A violência imposta pelo crime organizado e a dificuldade de intervenção do Estado foram o foco das declarações do delegado Nilson Farias, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), ao comentar a deflagração da Operação “Ditadura Faccional CPX” na última sexta-feira, dia 5 de dezembro.
O delegado utilizou o nome da operação para descrever o cenário encontrado nas investigações, ressaltando o medo e o controle que as facções exercem sobre a população local.
Nilson Farias foi categórico ao descrever a situação de moradores em áreas dominadas pelo crime.
“Essa operação se chama Ditadura Faccional CPX porque nós não temos só ditadura militar, também temos uma ditadura imposta pela facção. O que foi identificado durante as investigações? Que aquela população que vive naquele local está impedida de viver no Estado Democrático de Direito”.
O delegado sublinhou o terror imposto aos cidadãos, que temem represálias ao buscar a polícia.
“Eles não podem falar. Se morre alguém, eles não têm pra onde correr porque têm medo de alguma represália. Inclusive, as pessoas que nós ouvimos aqui na delegacia demonstram muito medo. Você vê que eles estão vivendo em um estado paralelo. Eles não estavam sujeitos à nossa legislação penal. São regras próprias, regras sanguinárias, onde as pessoas não têm direito de se expressar”.
Farias ainda destacou a precariedade dos locais dominados e a necessidade urgente de intervenção estatal para além da segurança pública.
“É um local precário que carece da intervenção do Estado, porque ali, mesmo com a realização dessa operação, ainda vai precisar de muita intervenção do Estado para que aquelas pessoas possam viver de forma democrática, possam fazer suas denúncias sem ter que ficar só anonimamente”.
A OPERAÇÃO REALIZADA
A operação deflagrada na semana passada visava cumprir 11 mandados de prisão temporária e 11 de busca e apreensão, resultou na morte de um dos principais alvos, Bruno César Amorim Santos, conhecido como “Vasco”, que era membro da facção e morreu em confronto com a PM ao reagir à prisão em Várzea Grande.
“Vasco” era investigado por seu envolvimento no brutal caso de tortura, homicídio e ocultação de cadáver da vítima José Wallafe dos Santos, ocorrido em agosto, em Várzea Grande:
O crime ocorreu em 8 de agosto, quando José Wallafe, sua esposa e o filho de apenas dois anos foram rendidos por faccionados, em um ataque que se suspeita estar ligado à disputa por território.
O corpo de José Wallafe foi encontrado em 20 de agosto, enterrado em uma cova rasa, apresentando sinais de violência e lesões provocadas por arma branca.
A Operação “Ditadura Faccional CPX” continua em andamento, buscando desarticular o crime organizado e restabelecer a segurança nas áreas afetadas.

