A CPMI do INSS analisa um requerimento que solicita a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no âmbito das investigações sobre um esquema bilionário de desvios no Instituto Nacional do Seguro Social. O pedido foi apresentado pelo relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), e será apreciado pelos parlamentares que integram o colegiado.
Pedido de quebra de sigilo envolvendo Lulinha
O requerimento, protocolado em 29 de janeiro de 2026, solicita que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras produza Relatórios de Inteligência Financeira e que sejam compartilhados dados bancários e fiscais de Lulinha referentes ao período entre 1º de janeiro de 2022 e 31 de janeiro de 2026. A solicitação abrange informações sobre movimentações financeiras, declarações de imposto de renda, operações imobiliárias, uso de cartões de crédito, parcelamentos tributários e eventuais procedimentos administrativos.
Na justificativa, Alfredo Gaspar afirma que a medida é necessária para aprofundar o rastreamento de recursos que teriam sido desviados do INSS e verificar se houve integração desses valores ao patrimônio de terceiros. O documento menciona elementos colhidos pela Polícia Federal e faz referência a decisão do Supremo Tribunal Federal que, segundo o relator, respalda a adoção de diligências para ampliar a apuração financeira.
Apontamentos da investigação
De acordo com o texto, a Polícia Federal identifica Roberta Luchsinger como integrante central do chamado núcleo político do grupo investigado, liderado por Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. A investigação aponta transferências que somam R$ 1,5 milhão para a empresa RL Consultoria, de propriedade de Roberta, provenientes da Brasília Consultoria, descrita como empresa de fachada. As operações teriam sido justificadas por serviços sem relação com a atividade econômica declarada.
O requerimento também cita mensagens interceptadas nas quais Antônio Camilo, ao ser questionado sobre um pagamento de R$ 300 mil, teria indicado que o valor seria destinado ao “filho do rapaz”, interpretação atribuída pela Polícia Federal como referência a Lulinha. A suspeita é de que Roberta teria atuado como intermediária financeira em repasses considerados irregulares.
O documento aponta ainda possíveis tentativas de obstrução das investigações, como orientações para descarte de aparelhos telefônicos após fases da operação policial. Há menção a passagens aéreas emitidas no mesmo localizador para Roberta e Lulinha, além de uma viagem conjunta em voo entre Guarulhos e Lisboa, em novembro de 2024, com bilhetes estimados entre R$ 14 mil e R$ 25 mil.
Segundo o relator, a quebra de sigilo é considerada essencial para apurar a hipótese de que Lulinha teria participado como sócio oculto em empreendimentos ligados à cannabis medicinal, supostamente financiados com recursos desviados do INSS. A CPMI avalia que apenas o acesso integral aos dados bancários e fiscais permitirá esclarecer o destino dos valores investigados e possíveis vínculos com agentes políticos ou familiares.
Próximos passos da comissão
A CPMI do INSS discute outras diligências, incluindo convocações e oitivas, enquanto avança para a fase de análise do fluxo financeiro do esquema apurado. Lulinha foi citado em decisões judiciais que autorizaram novas etapas da operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal em dezembro. Em votação anterior, o colegiado rejeitou sua convocação, e a oposição busca articulações para retomar o debate.

