O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) emitiu um alerta ao governo federal sobre os impactos dos cortes de Lula e o bloqueio de recursos orçamentários. Segundo o órgão, as medidas adotadas na última semana comprometem o funcionamento de serviços essenciais e colocam em risco o pagamento de aposentadorias e pensões em todo o país.
O aviso foi feito dias depois de o governo federal reduzir em R$ 190 milhões o orçamento destinado ao sistema de processamento de benefícios, além de restringir ainda mais a movimentação financeira da autarquia. De acordo com o INSS, o bloqueio inviabiliza o pagamento de contratos já em andamento e pode paralisar completamente a folha de pagamentos.
INSS pede reforço no orçamento para evitar colapso
Documentos encaminhados ao Ministério da Previdência detalham que o INSS solicita um reforço de R$ 425 milhões, além do desbloqueio de outros R$ 142 milhões. O objetivo é garantir a continuidade de contratos e serviços fundamentais, como o convênio com os Correios, responsável por atender aposentados vítimas de fraudes em descontos indevidos.
O presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, enviou um ofício pedindo a liberação imediata dos recursos. Até o momento, o Ministério da Previdência informou apenas que repassou o pedido ao Ministério do Planejamento, sem previsão de resposta.
Cortes de Lula podem afetar serviços e atendimento ao público
Na prática, os cortes de Lula podem resultar na paralisação de serviços considerados essenciais. Entre os impactos possíveis estão o fechamento do call center, a suspensão de mutirões de atendimento e a interrupção de serviços de manutenção em agências espalhadas pelo país.
O próprio INSS reconhece que, sem o desbloqueio das verbas, há risco de endividamento da autarquia, o que poderia levar à responsabilização de gestores pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
Outro ponto de preocupação é a suspensão do programa que pagava bônus a servidores responsáveis por acelerar a análise de pedidos de aposentadoria e pensão, uma das principais medidas que vinham ajudando a reduzir a fila de espera.
Os cortes também atingem contratos com empresas estatais como Dataprev e Telebrás, responsáveis por manter os sistemas tecnológicos usados para processar e efetuar o pagamento de benefícios. A interrupção desses contratos poderia afetar diretamente milhões de segurados.
O alerta do INSS reforça o clima de preocupação diante dos cortes de Lula e do bloqueio orçamentário que afeta a Previdência Social. Sem a liberação de recursos, há risco real de paralisação de serviços, atrasos no pagamento de benefícios e dificuldades operacionais em todo o sistema previdenciário. O impasse agora depende da resposta do Ministério do Planejamento e de uma possível reavaliação das prioridades orçamentárias do governo federal.

