As correspondências enviadas por apoiadores ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está custodiado na Papudinha, unidade vinculada ao Complexo da Papuda, no Distrito Federal, não estariam sendo entregues desde a segunda quinzena de janeiro. A informação foi divulgada pelo portal Metrópoles nesta sexta-feira, 20, e aponta divergências entre os Correios e a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) sobre o destino do material.
Segundo a reportagem, as cartas encaminhadas pelos remetentes são enviadas por meio dos Correios ao 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, responsável pela custódia na unidade prisional. No entanto, o conteúdo não estaria chegando ao destinatário.
correspondências acumulam sem entrega
De acordo com denúncia feita sob condição de anonimato, o batalhão responsável não estaria recebendo formalmente as cartas. Com isso, parte do material retornaria aos Correios antes mesmo de ser aceita, sem esclarecimento público sobre a razão da recusa.
Ainda conforme o relato, dezenas de correspondências permanecem acumuladas aguardando devolução aos remetentes. Algumas já teriam sido reenviadas aos endereços de origem após tentativa frustrada de entrega.
A situação gerou questionamentos quanto ao fluxo de entrega de cartas destinadas ao ex-presidente dentro do sistema prisional do Distrito Federal.
Correios relatam tentativas de entrega
Procurados pela reportagem, os Correios informaram que continuam se dirigindo ao Núcleo de Custódia do 19º BPMDF, localizado no Complexo Penitenciário da Papuda, para realizar as entregas. Contudo, segundo nota encaminhada ao Metrópoles, os objetos postais destinados a Jair Bolsonaro têm sido recusados no momento da chegada ao destino.
A estatal afirmou que as tentativas de entrega seguem sendo realizadas, mas que, diante da negativa, os itens acabam retornando ao fluxo postal para posterior devolução aos remetentes.
PMDF nega recusa de cartas
Em posicionamento oficial, a Polícia Militar do Distrito Federal contestou a informação de que esteja rejeitando as correspondências. A corporação declarou que cumpre integralmente a legislação vigente, incluindo as normas que asseguram aos detentos o direito de enviar e receber cartas.
A PMDF também ressaltou que segue todas as determinações expedidas pelo Poder Judiciário e que, até o momento, não existe qualquer decisão que determine a retenção ou limitação de correspondências destinadas ao custodiado.
Procedimentos internos sobre correspondências
A corporação esclareceu ainda que não é responsável pela administração do fluxo externo das correspondências, nem mantém convênios operacionais com os Correios para o gerenciamento das cartas enviadas a detentos.
Segundo a nota, o procedimento adotado pela unidade consiste no recebimento formal das correspondências entregues em suas dependências. Após essa etapa, o material passa por protocolos internos de inspeção e segurança. Estando em conformidade com as normas aplicáveis, as cartas são disponibilizadas ao destinatário.

