Os Correios anunciaram nesta segunda-feira (29) um amplo plano de reestruturação com foco na redução dos déficits financeiros acumulados desde 2023. A proposta prevê o fechamento de agências, cortes de despesas, programas de demissão voluntária e outras medidas voltadas ao equilíbrio das contas da estatal, sem comprometer a universalização do serviço postal em todo o território nacional.
Plano de reestruturação dos Correios
A principal medida apresentada pela direção dos Correios é o encerramento de cerca de 16% das agências próprias da empresa. Na prática, aproximadamente mil unidades devem ser fechadas, de um total de cerca de seis mil mantidas diretamente pela estatal em todo o país. A expectativa é de que a iniciativa gere uma economia estimada em R$ 2,1 bilhões.
Apesar do fechamento de agências, a empresa reforçou que continuará cumprindo a obrigação legal de atender todos os municípios brasileiros. Segundo a direção, a análise para encerrar unidades levará em conta tanto o desempenho financeiro quanto a necessidade de garantir o acesso da população aos serviços postais, inclusive por meio de pontos de atendimento operados em parceria, que somam cerca de 10 mil no Brasil.
Demissão voluntária e redução de despesas
Outro eixo do plano dos Correios envolve a diminuição dos gastos com pessoal. Estão previstos dois Programas de Demissão Voluntária (PDVs), um em 2026 e outro em 2027, com a meta de reduzir o quadro de funcionários em cerca de 15 mil trabalhadores até o fim desse período.
De acordo com a administração da empresa, aproximadamente 90% das despesas atuais possuem caráter fixo, o que dificulta ajustes rápidos diante das mudanças do mercado. Com os PDVs e a revisão de benefícios, a estimativa é reduzir os gastos com pessoal em cerca de R$ 2,1 bilhões por ano.
Situação financeira dos Correios
O plano de reestruturação surge em meio a sucessivos resultados negativos registrados pela estatal. Desde 2022, a empresa enfrenta um déficit estrutural anual estimado em R$ 4 bilhões, atribuído principalmente à obrigação de manter a universalização do serviço postal.
Em 2025, os Correios acumulam um saldo negativo de aproximadamente R$ 6 bilhões nos nove primeiros meses do ano. Além disso, o patrimônio líquido da companhia está negativo em R$ 10,4 bilhões, segundo dados apresentados pela própria empresa.
Empréstimos e possível mudança societária
Para reforçar o caixa, os Correios contrataram recentemente um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a instituições financeiras. Ainda assim, a direção informou que busca levantar outros R$ 8 bilhões para garantir o equilíbrio das contas em 2026.
A partir de 2027, a estatal também avalia uma mudança em sua estrutura societária. Atualmente, os Correios são uma empresa 100% pública, mas a direção estuda a possibilidade de transformá-la em uma companhia de economia mista, nos moldes de empresas como Petrobras e Banco do Brasil.
Corte de benefícios e venda de imóveis
O plano inclui ainda a revisão dos planos de saúde e previdência dos servidores, considerados financeiramente onerosos para a empresa. A proposta é adequar esses benefícios à realidade financeira da estatal.
Além disso, está prevista a venda de imóveis pertencentes aos Correios, com potencial de arrecadação estimado em R$ 1,5 bilhão, contribuindo para a redução do déficit.
Crise no setor postal
Segundo a direção, a crise enfrentada pelos Correios não é recente e está relacionada a transformações estruturais do setor postal. A digitalização das comunicações reduziu significativamente o volume de cartas, historicamente a principal fonte de receita da empresa.
A estatal também aponta o aumento da concorrência no comércio eletrônico como um fator que impactou os resultados financeiros. Situação semelhante, segundo a administração, é observada em outros países, como nos Estados Unidos, onde o serviço postal público também registra prejuízos bilionários.

