*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A vida de luxo e as dicas de gestão contábil exibidas nas redes sociais pelo contador Eduardo Cristian Martins Corrêa do Nascimento, de 30 anos, chegaram ao fim na manhã desta terça-feira, dia 11 de novembro. Ele foi preso pela Polícia Civil, sendo o mentor e alvo principal da Operação Domínio Fantasma, que desarticulou um esquema milionário de fraudes eletrônicas e lavagem de dinheiro em âmbito nacional.
Eduardo, que afirmava ter criado mais de 4 mil CNPJs no país, usava seus conhecimentos para registrar empresas de fachada e dar suporte ao golpe.
O CONTADOR OSTENTAÇÃO E O ALCANCE DIGITAL
O investigado cultivava a imagem de sucesso no perfil no Instagram, que contava com cerca de 7 mil seguidores. Na rede social, Eduardo se apresentava como um “contador digital” especialista em nichos como dropshipping e iGaming (jogos de azar online). Ele publicava vídeos nos quais dava instruções sobre gestão contábil, incluindo dicas para reduzir o pagamento de impostos.
O contador exibia rotinas de ostentação, com vídeos de viagens de luxo que incluíam esqui na Patagônia (Argentina) e viagens de barco em Dubai. Ele alegava ter visitado nove países.

O ESQUEMA MILIONÁRIO DESMONTADO
A Operação Domínio Fantasma, conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI), confirmou que Eduardo Cristian utilizava a contabilidade como ferramenta para o crime.
O esquema funcionava da seguinte forma:
Criação de Empresas Fantasmas: Utilizando “laranjas”, geralmente jovens de baixa renda, o contador criava centenas de CNPJs de fachada. A investigação identificou 310 empresas abertas por ele entre 2020 e 2024. A Polícia detectou a fraude após um alerta da Sefaz de MT sobre a concentração de registros de empresas em um único contador, quase todas em um mesmo endereço de sala comercial em Cuiabá.
Fraudes de E-commerce: Os CNPJs eram usados para registrar sites de comércio eletrônico falsos, anunciados em plataformas digitais. As vítimas pagavam via Pix ou cartão por produtos que nunca recebiam.
Lavagem de Dinheiro: Os milhões de reais obtidos com as fraudes eram então movimentados por meio dessas empresas de fachada, caracterizando o crime de lavagem de dinheiro.
PRISÃO E SEQUESTRO DE BENS:
A Operação Domínio Fantasma resultou no cumprimento de 33 ordens judiciais em Cuiabá e Sorriso, incluindo o mandado de prisão preventiva contra o contador. Além da detenção, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 5 milhões em valores, e o sequestro de dois imóveis e cinco veículos de luxo de Eduardo. Também houve quebra de dados e suspensão de sites e perfis nas redes sociais.
O contador foi conduzido à Delegacia e responderá por associação criminosa, fraudes eletrônicas, lavagem de dinheiro e crime contra a relação de consumo.
A Polícia Civil continua a investigar a extensão total do prejuízo às vítimas em todo o país.
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