A Câmara dos Deputados decidiu, após longas sessões entre a noite de quarta-feira e a madrugada desta quinta-feira, manter o mandato de Carla Zambelli, enquanto aplicou uma suspensão de seis meses ao deputado Glauber Braga. As duas situações envolveram análises distintas, mas igualmente tensas, que mobilizaram diferentes blocos partidários e reacenderam debates internos sobre condutas parlamentares.
Caso Zambelli domina debate no plenário
O processo envolvendo Zambelli (PL-SP) foi o primeiro a ser analisado. A deputada enfrentava uma representação decorrente de condenações no Supremo Tribunal Federal. Mesmo assim, o plenário não atingiu os 257 votos exigidos para a cassação do mandato. O resultado final foi de 227 votos favoráveis à perda do cargo e 170 contrários, mantendo a parlamentar na função.
Zambelli está detida na Itália desde julho, período em que permaneceu fora do país após optar pelo autoexílio. A deputada foi sentenciada pelo STF a 10 anos de prisão por invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), além de condenações por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal. Seu caso gerou ampla repercussão e dividiu posições dentro da Casa, mas não alcançou a maioria necessária para afastá-la definitivamente.
Suspensão de Glauber Braga substitui possibilidade de cassação
O segundo caso analisado foi o de Glauber Braga (PSOL-RJ), que respondia a processo por quebra de decoro após agredir um integrante do MBL dentro do Congresso no ano passado. A Câmara aprovou, por 318 votos a 141, a suspensão de seis meses, retirando da pauta a proposta de cassação que poderia torná-lo inelegível por oito anos.
A suspensão foi articulada pelo PSOL como alternativa à cassação. O movimento encontrou apoio em setores do Centrão e até em parte da direita, que avaliaram que a medida disciplinar seria mais viável diante do cenário de votações. A adesão, porém, gerou descontentamento entre parlamentares de direita.
Nikolas Ferreira (PL-MG) criticou duramente colegas que apoiaram a suspensão, afirmando que ver “gente de direita com pena de comunista” representaria um equívoco estratégico no embate político.
Reação interna no PL
A votação também provocou reflexos internos no PL. O vice-líder da sigla, Bibo Nunes (RS), foi destituído da função após apoiar a emenda que resultou na suspensão de Braga. Ele argumentou que, sem essa alternativa, o deputado psolista poderia sair sem qualquer punição.
Além de Bibo Nunes, outros seis parlamentares do PL votaram a favor da suspensão: Altineu Côrtes (RJ), Fernando Rodolfo (PE), Helio Lopes (RJ), Ícaro Valmir (SE), João Carlos Bacelar (BA) e Pastor Gil (MA).

