O número de nascimentos voltou a cair de forma significativa no Brasil em 2024, segundo dados do Registro Civil divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A redução se destacou como uma das mais expressivas desde o início dos anos 1990, reforçando a tendência de queda contínua na natalidade no país.
Queda histórica nos nascimentos em 2024
O levantamento aponta que o Brasil registrou 2,4 milhões de nascimentos ao longo de 2024, o que representa 146,3 mil registros a menos do que no ano anterior. A redução de 5,8% superou todas as quedas recentes, inclusive as verificadas em momentos críticos, como em 2020, no auge da pandemia de covid-19, quando o recuo foi de 4,7%. Em 2016, ano marcado pelo surto de zica vírus, a diminuição foi de 5,1%, também inferior ao observado agora.
Técnicos do IBGE afirmam que ainda não há uma explicação conclusiva para a queda tão acentuada nos nascimentos. A avaliação detalhada depende dos microdados do Censo 2022, que devem auxiliar a identificar as razões por trás do fenômeno. Mesmo sem respostas definitivas, especialistas destacam que a tendência acompanha o comportamento de vários países que vivem envelhecimento populacional.
Mudanças no perfil das mães brasileiras
Entre os fatores que contribuem para a redução dos nascimentos, está a queda contínua da maternidade na adolescência, observada nos últimos 20 anos. O índice passou de 20,8% para 11,3% nesse período, mostrando uma transição importante no comportamento reprodutivo da população jovem.
Em 2004, mulheres com até 24 anos representavam 52% dos nascimentos registrados no país. Em 2024, essa proporção recuou para 34,6%. O dado indica que mais mulheres estão adiando a maternidade, seja por motivos profissionais, pessoais ou sociais. Essa mudança de perfil impacta diretamente a taxa geral de natalidade e reflete novas dinâmicas familiares no Brasil.
Aumento das mortes acompanha queda de nascimentos
Além da queda dos nascimentos, o estudo do IBGE revela que o país registrou crescimento no número total de óbitos. Em 2024, as mortes aumentaram 4,6% em comparação com 2023, o que representa 65,8 mil registros adicionais. A expectativa de vida atual é de 76,6 anos, e o envelhecimento populacional é apontado como um dos principais responsáveis pelo aumento das mortes.
Do total de mortes registradas em 2024, 90,9% ocorreram por causas naturais. Outras 6,9% foram classificadas como causas externas, enquanto 2,2% não tiveram informação definida. O aumento foi observado em todas as regiões brasileiras, reforçando um padrão nacional ligado ao avanço da idade média da população.

