O Brasil passou a integrar, em 2025, a lista dos países mais perigosos do planeta segundo um levantamento internacional elaborado pela ONG Acled (Armed Conflict Location & Event Data Project). O estudo posiciona o país na sétima colocação global em gravidade da violência, ao lado de territórios que enfrentam guerras civis, insurgências armadas e conflitos prolongados. A classificação considera o impacto direto da violência sobre a população civil e a atuação simultânea de múltiplos grupos armados.
Metodologia usada para classificar os países mais perigosos
O ranking da Acled avalia todos os países e territórios do mundo com base em quatro indicadores principais. O primeiro é o número de mortes associadas diretamente a episódios de violência. O segundo mede o grau de risco enfrentado por civis. Já o terceiro analisa a extensão territorial dos conflitos, enquanto o quarto observa a quantidade de grupos armados envolvidos em ações violentas.
A partir da combinação desses fatores, a organização estabelece uma lista com os 50 cenários considerados mais críticos. Esses contextos são divididos em três categorias: turbulento, alto e extremo. O Brasil aparece na faixa mais grave da classificação, enquadrado como conflito extremo.
Brasil entre os países mais perigosos em 2025
No caso brasileiro, o relatório aponta desempenho elevado em todos os critérios avaliados. A Acled destaca a presença contínua de facções criminosas, disputas territoriais e violência associada a organizações armadas como elementos centrais para o posicionamento do país entre os países mais perigosos do mundo.
Risco para civis e multiplicidade de grupos armados
Segundo o levantamento, o impacto da violência no Brasil recai diretamente sobre a população civil. O estudo ressalta a atuação simultânea de diversos grupos criminosos organizados, o que amplia o alcance territorial dos confrontos e eleva o número de eventos violentos registrados ao longo do período analisado.
A Acled observa ainda que o Brasil mantém, de forma recorrente, indicadores elevados no índice, ao lado de países como México, Mianmar e Nigéria, que também apresentam padrões persistentes de violência armada.
Países no topo do ranking global de violência
A liderança do ranking fica com a Palestina, classificada como o cenário mais crítico do mundo em 2025. De acordo com a Acled, o território apresenta altos índices de letalidade e ampla disseminação dos confrontos, com episódios violentos registrados em grande parte da Faixa de Gaza e da Cisjordânia.
Mianmar ocupa a segunda posição e chama atenção pela fragmentação dos conflitos. O país reúne mais de 1.200 grupos armados distintos envolvidos em ações violentas. Na sequência aparece a Síria, também enquadrada como conflito extremo devido à persistência de confrontos armados.
México, Nigéria e Equador no grupo crítico
O México figura na quarta colocação, impulsionado principalmente pela atuação dos cartéis e pelos confrontos frequentes com forças de segurança. A Nigéria surge em quinto lugar, marcada por disputas regionais e violência armada contínua. O Equador aparece logo à frente do Brasil, com uma escalada recente de conflitos e aumento expressivo de mortes ligadas à violência política em comparação a 2024.
Panorama global da violência armada
Após o Brasil, o ranking inclui países como Haiti, Sudão e Paquistão, todos classificados no nível extremo. Entre dezembro de 2024 e novembro de 2025, a Acled contabilizou mais de 204 mil eventos de conflito em todo o mundo. No mesmo período, o número estimado de mortes ultrapassou 240 mil, segundo dados considerados conservadores pela organização.

