*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O plenário da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no INSS foi palco de um confronto acalorado na última segunda-feira, dia 23 de fevereiro. O episódio quase resultou na expulsão do deputado federal José Medeiros (PL-MT), após uma troca de ofensas com o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) durante a oitiva de uma das testemunhas-chave do esquema.
O ESTOPIM: ACUSAÇÕES DE CORRUPÇÃO
A tensão escalou durante a fala de Paulo Pimenta. O parlamentar gaúcho tentou vincular a cúpula do governo anterior às irregularidades investigadas. Pimenta questionou a presença de ex-ministros de Jair Bolsonaro na diretoria do Banco Master e citou relações entre diretores da instituição e ex-secretários do governo passado.
“Estão aqui as digitais que provam: Bolsonaro é filho do esquema criminoso que esta investigação vai deixar claro”, afirmou Pimenta.
A declaração gerou reação imediata de José Medeiros, que interrompeu o colega:
“Lave a sua boca, seu mentiroso!”.
AMEAÇA DE EXPULSÃO E DESAFIO À PRESIDÊNCIA
Diante da interrupção, o presidente da sessão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), advertiu Medeiros formalmente. Viana afirmou que, em uma próxima oportunidade, solicitaria que o deputado se retirasse do plenário.
Medeiros, no entanto, não recuou e desafiou a autoridade da presidência.
“Eu não vou sair. O senhor vai ter que fazer que nem o Flávio Dino, me tirar com a polícia daqui. Eu não vou diminuir meu mandato porque o senhor quer ficar do lado da esquerda”, disparou o parlamentar mato-grossense.
Para conter os ânimos, Carlos Viana suspendeu a sessão por cinco minutos. Após o intervalo, Medeiros permaneceu no local e a expulsão não foi concretizada.
O DEPOIMENTO: SILÊNCIO SOBRE OS R$ 100 MILHÕES
A depoente do dia, Ingrid Pikinskeni Santos, manteve uma postura defensiva. Ela é esposa de Cícero Marcelino, assessor da Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais), preso em novembro em uma operação da Polícia Federal.
A investigação apura o desvio de mais de R$ 100 milhões por meio de descontos indevidos em aposentadorias e pensões de idosos. Ingrid negou ter conhecimento das movimentações financeiras do marido e utilizou o direito constitucional de permanecer em silêncio, não respondendo à maioria das perguntas formuladas pelos membros da comissão.
PRÓXIMOS PASSOS
A CPMI do INSS deve intensificar o cruzamento de dados bancários para entender como os descontos indevidos eram autorizados dentro do sistema previdenciário.
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