*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O que começou como um trauma profundo em uma das praias mais famosas do Nordeste brasileiro terminou com um gesto de solidariedade no Litoral Norte de Santa Catarina. Os turistas mato-grossenses Johnny Andrade e Cleiton Zanatta, naturais de Tangará da Serra, encerraram o ano de 2025 em Balneário Camboriú, após serem vítimas de uma agressão brutal em Porto de Galinhas (PE).
O casal recebeu um convite especial com todas as despesas pagas para passar o Réveillon na cidade catarinense. A estadia foi um presente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (Sindisol) e da Associação de Bares e Restaurantes (Abres) de Balneário Camboriú, como forma de reafirmar o compromisso do setor com o respeito aos visitantes.
“Já viemos para a cidade outras vezes e amamos de paixão. Vir para cá, depois de tudo o que aconteceu, foi um presente. A gente sempre foi muito feliz aqui. Esperávamos que Porto de Galinhas também nos tratasse com o mesmo carinho e respeito que recebemos aqui”, desabafou Johnny Andrade.
RELEMBRE O CASO: VIOLÊNCIA POR PREÇO DE CADEIRA DE PRAIA
O pesadelo do casal começou no último sábado, dia 27 de dezembro, em Porto de Galinhas, Ipojuca (PE). A confusão teve início após Johnny e Cleiton questionarem uma cobrança abusiva pelo uso de cadeiras de praia. Segundo as vítimas, os barraqueiros tentaram cobrar um valor superior ao combinado previamente.
Ao questionarem a cobrança, a discussão evoluiu para um espancamento generalizado. A polícia já identificou 14 agressores envolvidos no crime. “Nós não negamos a pagar, nós questionamos o valor”, explicou Cleiton nas redes sociais, ainda abalado.
TRAUMA E MEDO: “ESPERO NUNCA MAIS PISAR NESSE LUGAR”
O impacto psicológico da agressão foi severo. Cleiton Zanatta relatou em vídeos emocionados o medo de sofrer novos ataques e a decisão de antecipar o retorno para casa. “Ele (Jhonny) dormiu assustado, chorou muito à noite. Tenho a impressão de que alguém vai chegar do lado e te dar uma pancada”, relatou Cleiton. O casal já acionou advogados para processar a Prefeitura de Ipojuca e o Estado de Pernambuco.
RESPOSTA DAS AUTORIDADES E PUNIÇÕES
A repercussão nacional do caso forçou medidas imediatas:
-Interdição: A Prefeitura de Ipojuca suspendeu as atividades da barraca envolvida por uma semana.
-Afastamento: Todos os garçons e funcionários identificados no vídeo foram afastados até a conclusão do inquérito.
PEDIDO DE DESCULPAS
A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), classificou o episódio como um crime grave.
“Peço desculpas. O que aconteceu é incalculável. Dois turistas foram espancados de maneira brutal por criminosos”, afirmou a governadora, prometendo rigor na punição dos 14 envolvidos.

