O dólar registrou forte valorização nesta segunda-feira (26), após a confirmação da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República. Por volta das 13h30, a moeda norte-americana avançava 8,82%, sendo negociada a R$ 5,4331, depois de atingir R$ 5,6048 durante o pregão. No mercado de ações, o Ibovespa, principal indicador da Bolsa de Valores brasileira, também apresentou perdas expressivas, levando a B3 a suspender temporariamente as negociações nas primeiras horas do dia.
Dólar sobe após resultado das eleições
A reação do mercado financeiro ao resultado eleitoral provocou uma movimentação intensa no câmbio. Durante a manhã, o dólar chegou a registrar valorização de 12,25%, alcançando R$ 5,604, nível que acionou o limite de oscilação previsto para as negociações na B3.
Por volta das 11h30, a moeda dos Estados Unidos avançava 9,85%, cotada a R$ 5,486. Mais tarde, às 13h30, a alta era de 8,82%, com a cotação em R$ 5,4331. Até aquele momento, a menor cotação do dia havia sido de R$ 5,425.
O movimento ocorreu após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais, que passou a influenciar as expectativas dos investidores sobre a política econômica, os juros, o comportamento do câmbio e a situação fiscal brasileira.
Na sexta-feira (24), último pregão antes da votação, o dólar havia encerrado o dia em queda de 0,9% em relação ao real, negociado a R$ 4,993. Apesar da forte oscilação registrada nesta segunda-feira, a moeda acumulava desvalorização de 3,5% em outubro e de 9,03% em 2026, considerando os números informados no levantamento.
Mercado futuro já indicava pressão sobre o real
A desvalorização da moeda brasileira começou a aparecer durante a madrugada, após a confirmação do resultado eleitoral. No mercado futuro da Chicago Mercantile Exchange (CME), nos Estados Unidos, contratos relacionados ao real registraram quedas próximas de 10%.
Por volta das 3h40, o contrato com vencimento em novembro de 2026 recuava 10,09%. Já o contrato para dezembro apresentava baixa de 9,79%. Esses movimentos indicavam uma pressão significativa sobre a moeda brasileira antes mesmo da abertura do mercado à vista no país.
A negociação de contratos futuros permite que investidores estabeleçam posições relacionadas às expectativas de preços e câmbio em datas posteriores. Por isso, essas operações podem antecipar mudanças na percepção dos agentes financeiros sobre o cenário econômico.
Ibovespa despenca e B3 aciona circuit breaker
A Bolsa de Valores brasileira também enfrentou uma sessão de forte instabilidade. O Ibovespa chegou a registrar queda superior a 10% nos primeiros minutos de negociação, levando a B3 a interromper as operações por 30 minutos.
Depois da retomada dos negócios, o índice voltou a apresentar perdas acentuadas. Por volta das 13h30, o Ibovespa recuava 15,46%, aos 173.377 pontos. Durante a manhã, o indicador chegou à mínima de 169.516,44 pontos, enquanto a máxima registrada no pregão foi de 205.088,73 pontos.
Na sexta-feira (23), o índice havia encerrado as negociações em alta de 0,47%, aos 205 mil pontos. Naquele momento, a bolsa acumulava valorização de 10,06% em outubro e de 27,28% no ano.
A mudança de direção observada nesta segunda-feira evidenciou a intensidade da reação dos investidores ao resultado das eleições e às incertezas relacionadas às perspectivas econômicas para os próximos meses.
Como funciona o circuit breaker
O circuit breaker é um mecanismo de proteção utilizado pela bolsa de valores para interromper temporariamente as negociações diante de quedas muito acentuadas nos preços das ações.
A medida busca reduzir a velocidade de movimentos extremos, oferecer tempo para que os participantes do mercado avaliem as informações disponíveis e permitir que as operações sejam retomadas em condições mais organizadas.
No episódio desta segunda-feira, a suspensão durou 30 minutos. Após esse intervalo, os investidores voltaram a negociar ações, mas o Ibovespa permaneceu sob forte pressão vendedora.
Pesquisa do Citi apontava expectativa de queda na bolsa
Um levantamento divulgado pelo Citi na sexta-feira (24) já indicava que parte expressiva dos gestores de fundos esperava uma reação negativa do mercado acionário brasileiro caso Lula vencesse a eleição.
A pesquisa reuniu avaliações de mais de 70 gestores de fundos de ações e multimercado. De acordo com os dados apresentados, aproximadamente 80% dos entrevistados projetavam uma queda superior a 5% no Ibovespa no primeiro pregão após o resultado eleitoral.
Outros 7% esperavam uma desvalorização entre 1% e 5%. O levantamento também apontava preocupação com o desempenho do real: 63% dos participantes estimavam uma queda superior a 5% da moeda brasileira diante do dólar, enquanto 28% projetavam uma desvalorização entre 2% e 5%.
As estimativas refletiam as expectativas dos profissionais consultados antes da votação e demonstravam a preocupação de parte do mercado com os possíveis efeitos do resultado eleitoral sobre os ativos brasileiros.
Ativos brasileiros negociados no exterior também caem
A reação negativa não ficou restrita à bolsa brasileira e ao mercado de câmbio. Ativos relacionados a empresas nacionais, negociados em bolsas internacionais, também apresentaram perdas depois da confirmação do resultado eleitoral.
O EWZ, fundo de índice negociado em Nova York que acompanha ações de grandes empresas brasileiras, registrava queda de 18,29% no pregão noturno, sendo negociado a US$ 34,80. A desvalorização representava uma perda de US$ 7,79 em comparação com o fechamento da sexta-feira.
Na Bolsa de Valores de Tóquio, no Japão, o Next Funds Ibovespa Linked, fundo que acompanha o desempenho do índice brasileiro, também operava em baixa. O ativo era negociado a 288 ienes, com recuo de 11,8% durante o pregão local.
Essas movimentações demonstraram que a reação dos investidores ao cenário político brasileiro também alcançou mercados internacionais, nos quais são negociados instrumentos financeiros vinculados ao desempenho das empresas e dos índices nacionais.
Banco Central pode atuar no mercado de câmbio
Diante da forte procura por dólares e da volatilidade observada nas negociações, analistas consideravam possível uma intervenção do Banco Central nesta segunda-feira.
Uma das alternativas mencionadas era a venda de dólares à vista, operação que pode ampliar a oferta da moeda norte-americana no mercado doméstico e ajudar a atender à demanda dos participantes.
A atuação da autoridade monetária no câmbio pode ter como objetivo fornecer liquidez e reduzir desequilíbrios momentâneos entre compradores e vendedores. A eventual realização de operações, entretanto, depende das decisões do Banco Central e das condições observadas no mercado.
O comportamento do dólar ao longo dos próximos pregões também deverá depender da avaliação dos investidores sobre as medidas econômicas do governo, as perspectivas para as contas públicas, a trajetória dos juros e o ambiente internacional.

