Cerca de 1800 municípios brasileiros estão em situação de alerta ou risco para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão da dengue. O levantamento foi divulgado pelo Jornal Nacional, da TV Globo, e chama a atenção para a necessidade de intensificar as medidas de prevenção, especialmente com a aproximação do período chuvoso. Nessa época do ano, o acúmulo de água em recipientes e áreas descobertas favorece a reprodução do inseto e aumenta a preocupação com a circulação de doenças virais.
Dengue: período de chuvas exige atenção redobrada
A dengue é uma das principais doenças transmitidas pelo Aedes aegypti no Brasil. O mosquito tem hábitos predominantemente domésticos e costuma permanecer dentro das residências ou nas áreas próximas, onde encontra condições favoráveis para se reproduzir.
A fêmea necessita de sangue para completar o desenvolvimento dos ovos. A transmissão dos vírus ocorre durante a picada do mosquito infectado, que pode disseminar a doença entre as pessoas.
Além da dengue, o inseto também transmite a zika e a chikungunya. Embora essas enfermidades compartilhem o mesmo vetor, cada uma apresenta características e possíveis complicações específicas.
Quais são os sintomas das doenças transmitidas pelo mosquito?
Os sinais da dengue incluem febre alta, dores musculares e no corpo, dor de cabeça, náuseas e manchas avermelhadas na pele. A doença pode evoluir para quadros graves, com complicações que exigem atendimento médico imediato e, em situações extremas, podem resultar em morte.
A zika também pode provocar febre e alterações na pele. Um dos principais riscos associados à infecção é a possibilidade de comprometimento do desenvolvimento fetal, incluindo a microcefalia, quando a gestante é infectada durante a gravidez.
Já a chikungunya é conhecida pelas dores intensas nas articulações. Em parte dos pacientes, esses sintomas persistem por períodos prolongados, comprometendo a mobilidade e as atividades cotidianas.
Onde o mosquito da dengue costuma se reproduzir?
A presença de água parada é um dos principais fatores que contribuem para a expansão dos criadouros do Aedes aegypti. A fêmea deposita os ovos nas paredes de recipientes que acumulam água, e esses ovos podem permanecer viáveis por até um ano em condições secas, voltando a se desenvolver quando entram em contato com a água.
Essa característica dificulta o controle do mosquito, pois recipientes aparentemente secos também podem abrigar ovos que darão origem a novas larvas quando houver condições favoráveis.
Principais locais que precisam ser vistoriados
Entre os pontos que merecem atenção nas residências e nos espaços públicos estão:
- Pratos e vasos de plantas que acumulam água;
- Caixas-d’água sem tampas ou com vedação inadequada;
- Pneus armazenados ao ar livre;
- Garrafas PET e outros recipientes descartados;
- Calhas obstruídas que impedem o escoamento da água;
- Sacolas, embalagens e lixo deixados em quintais;
- Recipientes expostos à chuva que possam acumular água.
A eliminação desses locais reduz as oportunidades de reprodução do mosquito e constitui uma das principais medidas para prevenir a dengue e as demais doenças transmitidas pelo inseto.
Prevenção da dengue depende da participação da população
O enfrentamento do Aedes aegypti exige ações coordenadas entre os órgãos públicos e os moradores. As administrações municipais desempenham um papel importante na fiscalização de imóveis, na identificação de áreas com infestação e na adoção de medidas para controlar os criadouros.
A população, por sua vez, pode contribuir mantendo os ambientes limpos e verificando regularmente os locais que favorecem o acúmulo de água. Uma vistoria semanal nas residências ajuda a identificar possíveis focos antes que o mosquito complete seu ciclo de desenvolvimento.
Entre as recomendações estão manter as caixas-d’água devidamente fechadas, limpar as calhas, descartar corretamente o lixo e colocar areia nos pratos de plantas quando necessário. Pneus e outros objetos que possam acumular água devem ser guardados em locais cobertos ou destinados ao descarte adequado.
Quando procurar atendimento médico?
Pessoas que apresentarem sintomas compatíveis com dengue, zika ou chikungunya devem procurar uma unidade de saúde para avaliação e orientação profissional. A identificação correta da doença é importante para o acompanhamento do quadro e a prevenção de complicações.
No caso da dengue, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura ou desmaio são sinais de alerta que exigem atendimento médico imediato. A automedicação deve ser evitada, pois determinados medicamentos podem aumentar o risco de sangramento.

