*Sêmia Mauad/ Opinião MT
Imagens capturadas por drones de vigilância do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) revelaram bastidores do confinamento de parlamentares de Várzea Grande em uma chácara no Distrito da Guia, em Cuiabá. O monitoramento aéreo fundamentou os relatórios de inteligência do Ministério Público Estadual (MPE) que culminaram na deflagração da Operação Cathedra Venalis, na última terça-feira, dia 20 de outubro.
A investigação apura um suposto esquema de cooptação de agentes públicos, ofertas de vantagens indevidas e corrupção para o controle das Mesas Diretoras das Câmaras Municipais de Várzea Grande e da Capital.
As fotografias de satélite e drones divulgadas mostram a movimentação de veículos e vereadores em áreas abertas da propriedade rural no mês de maio deste ano. Em um dos trechos do relatório, o vereador Braz Jaciro (PSDB) é fotografado sentado sob árvores, enquanto Miguel Júnior (Cidadania) aparece acompanhado de outros participantes na área externa.
ESTRATÉGIA DE CONFINAMENTO E ABORDAGEM COM R$ 40 MIL EM DINHEIRO
A estratégia de “isolar” os parlamentares na propriedade foi organizada pelo presidente da Câmara de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), às vésperas do pleito interno. O objetivo, supostamente, era manter reunida a base de apoio à reeleição dele e impedir articulações do Poder Executivo municipal, que apoiava a candidatura opositora do vereador Lucas Chapéu do Sol (PL).
Durante o encontro na chácara, o Gaeco registrou ainda a presença dos vereadores por Cuiabá Ilde Taques e Alex Rodrigues, ambos do Podemos, que participavam de um almoço com o grupo. Na ocasião, os parlamentares cuiabanos foram abordados por equipes do Batalhão de Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam), que apreenderam cerca de R$ 40 mil em dinheiro vivo.
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A eleição para a Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande, realizada em 14 de maio, terminou com a vitória da chapa de Wanderley Cerqueira por um placar apertado de 12 votos a 11. No entanto, o resultado foi anulado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) devido ao descumprimento das regras relativas à antecedência e aos prazos regimentais convocatórios.
OPERAÇÃO CATHEDRA VENALIS CUMPRIU 30 MANDADOS E MIROU 15 PARLAMENTARES
A Operação Cathedra Venalis mobilizou cerca de 200 policiais para o cumprimento de 30 mandados de busca e apreensão nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. A ofensiva atingiu diretamente 13 vereadores de Várzea Grande, dois parlamentares da Capital, além de servidores públicos e diretores administrativos.
Na Câmara de Cuiabá, a busca e apreensão envolvendo Ilde Taques ocorre em um momento de transição no comando da Casa. No último dia 6 de outubro, Taques foi eleito por unanimidade (27 votos) como o novo presidente do Legislativo cuiabano para o biênio 2027/2028.
Em Várzea Grande, figuram entre os principais investigados do inquérito:
-Wanderley Cerqueira (MDB) – Presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande;
-Lorineide Aparecida Trindade Inha – Diretora financeira do Legislativo;
-Samir Japonês (PL) – Secretário legislativo;
-Vereadores de Várzea Grande: Alessandro Moreira (MDB), Braz Jaciro (PSDB), Cilcinho (PV), Denival Galibert (PSB), Emerson Cesar (PP), Gisa Barros (Podemos), Kleberton Feitoza (PSB), Lucélia Oliveira (Agir), Miguel Angel (Cidadania), Raul Curvo (Republicanos), Rogerinho da Dakar (PSDB) e Wender Silva (Republicanos).
Todo o material apreendido durante as diligências do Gaeco passará por perícia técnica e análise documental, devendo subsidiar o oferecimento de denúncias criminais contra os envolvidos no esquema de compra de votos nas casas legislativas.

