*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O vereador e presidente eleito da Câmara Municipal de Cuiabá para o biênio 2027/2028, Ilde Taques (Podemos), manifestou-se oficialmente após ter sido alvo de um mandado de busca e apreensão cumprido pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) na manhã desta terça-feira, dia 20 de outubro. Por meio de nota assinada pelo advogado Eduardo Mahon, o parlamentar afirmou que colaborou ativamente com os policiais e ressaltou que nada de irregular foi encontrado durante as buscas.
Segundo a defesa, Taques ainda não teve acesso aos autos da investigação, que corre sob sigilo, mas negou de forma enfática qualquer envolvimento em articulações políticas ilegais vinculadas à eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Várzea Grande. O parlamentar colocou-se à disposição da Justiça e garantiu que segue com suas atividades legislativas normalmente.
LEIA A NOTA DE ESCLARECIMENTO NA ÍNTEGRA
O vereador Ilde Taques informa que recebeu com tranquilidade o cumprimento de mandado de busca e apreensão na manhã de hoje (20), tendo colaborado com o trabalho das autoridades, que não encontraram qualquer elemento que o relacione com atividades irregulares.
O vereador Ilde Taques ainda não teve acesso ao processo que tramita de forma sigilosa e, portanto, não pode adiantar declarações sobre as investigações. Afirma de forma enfática que não tem qualquer relação com articulações políticas muito menos ilegais sobre a eleição da mesa diretora da Câmara de Várzea Grande.
Certo de que a sociedade cuiabana e mato-grossense merece respeito por meio de informações públicas e confiáveis, o vereador Ilde Taques coloca-se à inteira disposição das autoridades judiciárias para continuar prestando suas declarações e seguindo normalmente em sua vida parlamentar.
Eduardo Mahon
Advogado — OAB/MT 6363
ENTENDA O CASO
A manifestação da defesa ocorre no âmbito da Operação Cathedra Venalis, deflagrada pelo Gaeco para desarticular uma suposta organização criminosa voltada a crimes contra a Administração Pública, como cooptação de agentes públicos e pagamento de vantagens indevidas para interferir nas eleições internas dos Legislativos municipais.
Ao todo, cerca de 200 policiais cumpriram 30 mandados de busca e apreensão nos municípios de Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. A mobilização contou com o apoio ostensivo do Bope, Rotam, Cavalaria, Inteligência e Comandos Regionais da PM.
Na capital, além de Ilde Taques, eleito por unanimidade no último dia 6 de outubro para comandar a Câmara a partir de 2027, a operação também cumpriu mandados contra o vereador Alex Rodrigues (Podemos).
VARREDURA ATINGE CÚPULA DA CÂMARA DE VÁRZEA GRANDE
A maior fatia das ordens judiciais foi executada em Várzea Grande, onde a operação mirou 13 vereadores, além da cúpula administrativa da Casa. O estopim das investigações envolve a disputa disputada e conturbada pela Mesa Diretora em maio deste ano, quando o vereador Wanderley Cerqueira (MDB) venceu a eleição interna por um voto de diferença (12 a 11), em pleito que acabou posteriormente anulado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
LISTA DOS VEREADORES QUE FORAM ALVOS EM VÁRZEA GRANDE
Em Várzea Grande, os desdobramentos atingem em cheio a cúpula administrativa e quase a totalidade dos parlamentares da Casa de Leis. Entre os investigados estão o próprio presidente do Legislativo municipal, servidores e 12 vereadores:
-Wanderley Cerqueira (MDB): Presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande;
-Lorineide Aparecida Trindade Inha: Diretora financeira da Câmara;
-Samir Japonês (PL): Secretário legislativo;
-Alessandro Moreira (MDB): Vereador;
-Braz Jaciro (PSDB): Vereador;
-Cilcinho (PV): Vereador;
-Denival Galibert (PSB): Vereador;
-Emerson Cesar (PP): Vereador;
-Gisa Barros (Podemos): Vereadora;
-Kleberton Feitoza (PSB): Vereador;
-Lucélia Oliveira (Agir): Vereadora;
-Miguel Angel (Cidadania): Vereador;
-Raul Curvo (Republicanos): Vereador;
-Rogerinho da Dakar (PSDB): Vereador (Rogério de França Martins);
-Wender Silva (Republicanos): Vereador.

