*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O vereador suplente Antônio Lemes (PSD) anunciou, na quinta-feira, dia 15 de outubro, que irá renunciar ao cargo que ocupa na Câmara Municipal de Cuiabá. A decisão foi formalizada em requerimento, com solicitação para que o desligamento passe a valer a partir do dia 19 de outubro, sob a justificativa oficial de motivos de ordem particular.
Na prática, a renúncia antecipada foi motivada, segundo o suplente, pelas intensas pressões políticas exercidas pelo vereador titular da vaga, Jeferson Siqueira (PSD), e pela disputa em torno da sucessão da Mesa Diretora da Casa de Leis.
Lemes havia assumido a cadeira no dia 17 de agosto e tinha permissão regimental para permanecer no Legislativo municipal até 17 de novembro, completando um ciclo de 121 dias de mandato. Com o seu pedido de saída, a vaga é devolvida ao titular Jeferson Siqueira, a depender do trâmite dos procedimentos jurídicos internos.
O estopim da crise entre o suplente e o titular envolveu a composição da Mesa Diretora da Câmara para o biênio 2027/2028. Antônio Lemes declarou publicamente simpatia à candidatura da vereadora Paula Calil (PL), enquanto Jeferson Siqueira defendia o nome do vereador Ilde Taques (Podemos).
Em declarações concedidas sobre a renúncia, o suplente desabafou sobre o clima de tensão e as constantes cobranças políticas que vinha sofrendo do titular e de aliados para mudar de lado na disputa pelo comando da Casa.
“Ele não tem direito nenhum que faça eu renunciar, mas por um bom senso eu vou abrir o espaço novamente para ele. Eu não aguentava mais a pressão na minha casa, no telefone, para me passar para esse lado, participar de almoço, de jantar. Não quero quebrar a ponte com o vereador Jeferson. Quero continuar conversando com ele, com todo mundo, com o Ilde Taques”, afirmou Antônio Lemes.
Lemes fez questão de ressaltar que não sofreu ameaças veladas, classificando o assédio como cobrança estritamente política.
Ao explicar o motivo inicial de seu alinhamento com Paula Calil, o parlamentar suplente argumentou que a escolha era baseada no atendimento de demandas históricas do movimento comunitário e na articulação de melhorias para a população. Segundo ele, uma parceria construída entre a presidência da Câmara e a gestão do prefeito eleito Abilio Brunini (PL) já havia possibilitado a viabilização de melhorias diretas para três bairros da capital.
Apesar da preferência manifestada ao longo das negociações pela candidatura de Paula Calil, Antônio Lemes acabou cedendo às pressões partidárias na votação do pleito interno. O suplente acompanhou o posicionamento do titular Jeferson Siqueira e votou no vereador Ilde Taques (Podemos), que acabou eleito por unanimidade para comandar o Legislativo cuiabano no biênio 2027/2028.

