*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O laudo necroscópico emitido pela Politec confirmou que o professor Breno Antonio Humberto de Moraes, de 25 anos, morreu em decorrência de um choque hemorrágico provocado por 13 golpes de faca. O documento pericial apontou que a vítima sofreu lesões vasculares graves no pescoço e no abdômen, que resultaram em uma hemorragia aguda.
Além dos ferimentos profundos em regiões vitais, o exame pericial revelou três cortes profundos na genitália externa da vítima. De acordo com o laudo, todas as lesões foram produzidas enquanto o jovem ainda estava vivo.
Em análise preliminar dos achados periciais, o delegado Bruno Abreu, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), ressaltou a brutalidade empregada no homicídio cometido em Várzea Grande.
“Pelo que eu compreendi do laudo, nós não estamos diante apenas de um homicídio com múltiplos golpes. O exame demonstra uma violência extremamente intensa, com lesões profundas em regiões vitais, principalmente pescoço e abdômen, além de ferimentos em uma região extremamente sensível, a genitália externa, todos produzidos em vida. Na minha avaliação, diante da quantidade, da localização e da natureza dessas lesões, há elementos muito fortes de que houve emprego de meio cruel. O próprio laudo ressalta a multiplicidade dos ferimentos e a violência física intensa empregada contra a vítima”, destacou o delegado.
A natureza das lesões na genitália externa, que foram caracterizadas como cortes e não perfurações, levantou novas hipóteses para a investigação. A DHPP trabalha para esclarecer a finalidade da agressão e se o professor foi submetido a tortura com o objetivo de provocar sofrimento intenso.
“A hipótese de tortura até para obtenção de informação é possível, mas ainda não está demonstrada pelo laudo. É uma hipótese que precisa ser investigada agora. Muito ódio ali”, afirmou o titular da DHPP.
PROVAS CONTESTAM VERSÃO DO SERRALHEIRO PRESO
A revelação da causa da morte reforça o conjunto de provas reunido pela Polícia Civil de Mato Grosso contra o serralheiro Elias Samuel Delgado da Silva, de 26 anos, preso temporariamente acusado do crime. As evidências colhidas pela DHPP contestam diretamente a versão apresentada pelo suspeito durante o interrogatório.

As investigações confirmaram que Elias esteve presente no local e no exato momento da execução, além de demonstrar conhecimento sobre o ponto exato onde o corpo de Breno foi descartado. A polícia também apurou que o acusado se apossou do aparelho celular da vítima e chegou a se passar pelo professor após o crime, trocando mensagens para tentar despistar a família.
Em entrevista concedida ao Programa do POP, o delegado Bruno Abreu detalhou as inconsistências nos depoimentos de Elias e afirmou que o acusado “mentiu descaradamente” para tentar minimizar a responsabilidade dele no assassinato.
Durante o depoimento, o serralheiro alega ter ido ao local apenas para presenciar a aplicação de um “corretivo” na vítima, negando a execução direta. Elias afirmou ter seguido de carro uma motocicleta que transportava Breno e que, no ponto combinado, encontrou o condutor da moto e um terceiro indivíduo, os quais teriam agredido o professor, roubado seu celular e cometido o homicídio enquanto ele permanecia no veículo.
A narrativa foi prontamente descartada pelos investigadores.
“Pelo que ele conta, ele apenas foi lá para testemunhar o fato. Isso não existe. Ele participou. Após os fatos, eu perguntei para ele a hora que ele teria saído de lá. Ele dá horários que não batem com o horário que ele estava falando com o irmão da vítima”, revelou Bruno Abreu, classificando a versão do acusado como fantasiosa.
INCONSISTÊCIAS NA MOTIVAÇÃO E FALSOS COMPARSAS
A tese de que haveria comparsas perdeu força quando o suspeito foi questionado sobre a qualificação dos supostos executores. Elias mencionou apenas um homem com quem dizia ter tido contato em cavalgadas regionais, mas não soube fornecer nome completo, endereço ou redes sociais.
“Ele deu, supostamente, a pessoa que estaria na moto, só que ele não consegue dizer o nome todo, o Instagram. É uma pessoa que, segundo ele, fazia cavalgada com ele. Mas ele não soube informar onde mora, o nome todo. Ele deu um nome fictício para nós”, explicou o delegado.
Outro ponto frágil no depoimento do acusado foi a indicação de uma suposta motivação passional. Elias alegou que temia que Breno revelasse à sua esposa a existência de encontros extraconjugais com outra mulher. No entanto, o serralheiro não soube fornecer qualquer detalhe que comprovasse a existência da suposta amante.
“A gente não acredita em nada que ele falou. Ele deu uma motivação apontando, inclusive, uma menina que ele teria saído e estava com medo da vítima contar para a esposa. Mas ele não conta como conheceu ela, quantas vezes saiu com ela. Ele também não sabe dizer quem é essa pessoa. Para gente, ele mentiu descaradamente”, enfatizou o titular da DHPP.]
PRISÃO TEMPORÁRIA E CONTINUIDADE DAS INVESTIGAÇÕES
Prisão Temporária e Continuidade das Investigações
Elias Samuel Delgado da Silva cumpre mandado de prisão temporária. A DHPP utiliza o período de custódia para concluir as diligências, esclarecer a real motivação do assassinato e averiguar se houve a colaboração de terceiros.
“Nós temos aí 30 dias de prisão temporária, podendo ser prorrogada por mais 30 para que a gente possa, não só identificar os outros envolvidos, mas também saber a real motivação do crime. Apesar de a gente já ter uma linha de investigação”, concluiu o delegado Bruno Abreu.

