*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso, por meio da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), deflagrou na manhã desta quinta-feira, dia 15 de outubro, a Operação Legado. A ação tem como objetivo desarticular o núcleo financeiro de um esquema criminoso responsável por causar expressivos prejuízos aos cofres públicos do município de Nossa Senhora do Livramento.

Ao todo, a Justiça expediu 30 ordens judiciais contra os investigados. Entre as medidas estão sete mandados de busca e apreensão, seis autorizações para acesso a dados armazenados em dispositivos móveis, além da proibição de licitar e contratar com o Poder Público de Nossa Senhora do Livramento. As determinações judiciais também incluem o bloqueio inicial de R$ 15,8 milhões nas contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas, além do sequestro de dois veículos, uma motocicleta e um caminhão.
A ofensiva da Deccor mira uma pessoa jurídica e cinco pessoas físicas, grupo composto por uma ex-secretária municipal, empresários e “laranjas”, além de uma empresa utilizada diretamente para operações financeiras ilícitas.

A Operação Legado é um desdobramento direto da Operação Liberatio, deflagrada em 2024 pelo Núcleo de Ação de Competência Originária do Ministério Público de Mato Grosso (NACO/MP-MT), que teve como alvos o prefeito da época e secretários municipais. A partir dos desdobramentos, a Deccor instaurou um novo inquérito policial focado na apuração dos crimes de lavagem de dinheiro associados a peculato, corrupção passiva e organização criminosa perpetrados durante a gestão municipal anterior.
As investigações identificaram que o dinheiro público era desviado por meio de dois contratos principais firmados pela Prefeitura de Nossa Senhora do Livramento. O primeiro deles envolvia um posto de combustíveis contratado para o abastecimento da frota de veículos oficiais do município. O segundo era firmado com uma construtora responsável pela reforma de pontes de madeira na zona rural da cidade.
Durante o monitoramento financeiro, os investigadores constataram movimentações atípicas que ultrapassam R$ 90 milhões nas contas bancárias dos alvos. Um dos pontos mais estarrecedores do esquema foi a utilização da conta bancária de uma pessoa falecida à época das transações para operar os repasses. A falecida era mãe do proprietário do posto de combustíveis e avó da proprietária da empresa de construção civil beneficiada com os contratos públicos. As análises confirmaram que volumosos valores saíam do posto de combustíveis e circulavam por essa estrutura familiar para ocultar a origem ilícita do dinheiro público.

