*Sêmia Mauad/ Opinião MT
Com mais de 50 mil seguidores no Instagram, a influenciadora digital Fernanda Matos e o marido dela, Diego Matos, tornaram-se os principais alvos da Operação Aposta Final, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso na manhã desta quarta-feira, dia 14 de outubro. A ação apura o envolvimento do casal em um esquema de divulgação ilegal de jogos de azar e lavagem de dinheiro associado ao crime organizado.

Conhecida por ter sido coroada rainha de rodeio, Fernanda utilizava as redes sociais para exibir uma rotina de viagens internacionais, com passagens por destinos como Punta Cana, Tulum, Cancún e Ushuaia, além de veículos de alto padrão e imóveis de luxo. Essa rápida e expressiva evolução patrimonial, contudo, entrou no radar dos investigadores por ser totalmente incompatível com a renda lícita declarada pelo casal.
A ofensiva foi coordenada pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) em conjunto com a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco). Ao todo, o Poder Judiciário expediu 19 ordens judiciais contra os investigados e suas empresas.
Entre as medidas cautelares cumpridas na Grande Cuiabá, destacam-se a indisponibilidade de ativos financeiros de até R$ 102,4 milhões pertencentes aos alvos e intermediárias, além de 3 mandados de busca e apreensão cumpridos em endereços do casal em Várzea Grande e Cuiabá e 4 mandados direcionados a automóveis de alto valor, sendo duas caminhonetes, uma picape e um carro.

Foi determinada ainda a paralisação cautelar das atividades econômicas de dois estabelecimentos comerciais usados pelo grupo, um salão de beleza e um açougue. E a exclusão de perfis em redes sociais, derrubada de sites de apostas ilícitas e quebra do sigilo de dados telemáticos.
DENÚNCIA DE FACÇÃO CRIMINOSA E MOVIMENTAÇÃOD DE R$ 102 MILHÕES
As investigações da GCCO e da Draco começaram em agosto de 2026, após o recebimento de denúncias sobre a atuação de uma facção criminosa na promoção de plataformas de jogos on-line e lavagem de capitais.
Os policiais identificaram que Fernanda Matos publicava rotineiramente links que direcionavam seus mais de 50 mil seguidores para plataformas de apostas não autorizadas. Ao realizar os depósitos via Pix, os usuários transferiam valores para duas empresas intermediárias que não constavam na lista oficial de casas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.
A perícia financeira revelou um fluxo atípico: apenas uma das empresas ligadas ao esquema movimentou R$ 102,4 milhões entre 14 de maio e 12 de julho de 2026. A rápida sequência de recebimentos e repasses caracterizou a estratégia de dissimulação de valores oriundos de jogos ilícitos.
APREENSÕES E SEQUÊNCIA DAS INVESTIGAÇÕES
Durante as buscas realizadas no imóvel do casal nesta quarta-feira, as equipes policiais apreenderam mídias, aparelhos eletrônicos, documentos e registros financeiros. Todo o material passará por perícia técnica.
A Polícia Civil mantém as investigações em andamento para apurar a extensão do esquema, identificar outros envolvidos e aprofundar as conexões entre a divulgação das plataformas e a facção criminosa.

