*Sêmia Mauad/ Opinião MT
Duas jovens de 20 e 21 anos foram detidas em flagrante pela Polícia Civil na última quarta-feira, dia 30 de setembro, acusadas de envolvimento em um assalto e na tentativa de homicídio contra um terceiro-sargento da Polícia Militar de Mato Grosso, Julio Cesar Pinto do Nascimento, de 48 anos. O crime ocorreu após um encontro em um motel da capital e mobilizou equipes de segurança em busca das suspeitas e do material levado.
As detidas foram identificadas como Alice Kelvilin Costa Ferreira, de 20 anos, e Gabrielle Cristina Couto Pena, de 21 anos.
Conforme o boletim de ocorrência, a situação teve início após uma discussão generalizada por causa do pagamento de suposto um programa. O policial militar foi baleado no braço com a própria arma, que acabou sendo roubada junto com a caminhonete dele. Após o socorro, ele foi encaminhado para atendimento no Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), mas o boletim não detalhou o estado de saúde atualizado da vítima. Tanto o veículo quanto a arma de fogo foram recuperados posteriormente pelas autoridades.
VERSÕES DIVERGENTES SOBRE A DINÂMICA DOS DISPAROS
O caso apresenta relatos conflitantes entre a versão apresentada pelo policial militar e os depoimentos das duas suspeitas detidas.
No relato à polícia, o sargento afirmou que estava saindo do estabelecimento quando uma das mulheres, que ocupava o banco traseiro, passou a agredi-lo. Em seguida, a outra mulher, que estava no banco do passageiro, teria pego a arma de fogo que se encontrava próxima ao freio de mão e efetuado dois disparos contra ele.
A vítima acredita que a intenção do grupo era efetivamente roubá-lo, destacando ainda que as suspeitas tentaram arrancar o cordão de ouro dele durante a ação, e que novos tiros só não ocorreram porque a mulher que segurava a pistola não sabia manuseá-la corretamente.
Por outro lado, Alice Kelvilin apresentou uma narrativa diferente. Segundo ela, o desentendimento começou porque o policial teria se recusado a pagar o valor combinado de R$ 350 por pessoa no momento em que deixavam o motel de caminhonete. A suspeita alegou que, durante a discussão acalorada, o próprio militar pegou a arma. Tomada pelo medo de ser atingida, Alice disse que entrou em luta corporal com ele para tentar desarmá-lo, momento em que a arma acabou disparando acidentalmente, sem qualquer intenção de matar ou roubar.
Gabrielle Cristina confirmou a versão da colega de crime e acrescentou que agrediu o policial com o intuito de defender Alice. Ambas admitiram que abandonaram a caminhonete após a fuga. Alice relatou que a arma ficou com Gabrielle e que elas teriam a intenção de devolvê-la, o que acabou não ocorrendo.
PRISÃO E APREENSÃO DE ARMA
As investigações avançaram após a fuga das suspeitas. Alice foi localizada por policiais no bairro Dom Bosco, onde ainda tentou fugir a pé, mas acabou detida e indicou o paradeiro de Gabrielle.
A segunda suspeita foi encontrada na região de chácaras do Contorno Leste, também tentando escapar da abordagem policial. Na cintura de Gabrielle, os agentes encontraram a pistola Glock G17, de calibre 9 milímetros, pertencente à Polícia Militar, que estava municiada com 14 munições intactas. A caminhonete do sargento foi localizada nas proximidades do Fort Atacadista, em Cuiabá, apresentando cápsulas deflagradas no interior.
Com a prisão efetuada, as duas mulheres foram autuadas em flagrante por roubo majorado e tentativa de homicídio. Gabrielle também foi autuada por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. O auto de prisão detalha o enquadramento nos crimes de roubo e homicídio tentado.
Após os procedimentos legais na delegacia, as suspeitas foram encaminhadas ao Centro de Custódia da capital.
O inquérito policial e a condução do caso ficaram sob a responsabilidade da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cuiabá.
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