*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Polícia Civil deflagrou, na última sexta-feira, dia 18 de setembro, a Operação Broken Chain com o objetivo de desarticular um grupo familiar suspeito de comandar um esquema criminoso de agiotagem, extorsão e crimes contra a economia popular na Capital.
As investigações, conduzidas pela Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon), culminaram no cumprimento de ordens judiciais que miraram alvos em endereços de alto padrão em Cuiabá.
A operação mobilizou equipes policiais para o cumprimento de três mandados de busca e apreensão e três ordens de medidas cautelares diversas da prisão. Os alvos principais da investigação formam um núcleo familiar composto por um casal, G.D.O., de 76 anos, e M.I.P.D.L., de 55 anos, além do genro deles, D.L.C., de 29 anos.
As ordens foram cumpridas em uma residência situada em um condomínio de luxo no bairro Morada dos Nobres, bem como em outro imóvel localizado no bairro Recanto dos Pássaros, em Cuiabá.
Diante da gravidade dos fatos apurados, a Justiça determinou que os três investigados mantenham distância mínima de 200 metros das vítimas e fiquem proibidos de manter qualquer tipo de contato, direto ou indireto, com elas. O Poder Judiciário também decretou a suspensão imediata de qualquer atividade relacionada à oferta, concessão, intermediação, negociação ou cobrança de empréstimos financeiros pelo grupo.
De acordo com as apurações da Decon, o grupo operava concedendo empréstimos informais que impunham taxas de juros abusivas que chegavam a 20% ao mês. Como garantia para a liberação dos valores, os suspeitos exigiam a entrega de cheques e notas promissórias.
O que deveria ser uma facilitação de crédito transformava-se em um pesadelo para os mutuários por conta dos métodos de cobrança. A investigação apontou a prática sistemática de crimes de extorsão, caracterizados por intimidações, pressões psicológicas severas, ameaças diretas e abordagens constrangedoras realizadas tanto nas residências quanto nos locais de trabalho das vítimas.
Um dos casos detalhados no inquérito ilustra o ciclo de endividamento abusivo. Uma das vítimas tomou emprestados R$ 5 mil, chegou a pagar R$ 8,5 mil aos agiotas, mas ainda assim continuava a ser cobrada de forma extorsiva no valor de mais R$ 14 mil. Além disso, a polícia identificou o uso de terceiros para realizar as cobranças e o ajuizamento de ações judiciais baseadas nos títulos de crédito obtidos por meio da agiotagem.
Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão nos imóveis ligados aos investigados, as equipes policiais recolheram elementos probatórios cruciais para robustecer a investigação criminal.
Foram apreendidos R$ 9.970,00 em espécie, centenas de documentos comprobatórios, dezenas de notas promissórias, além de anotações com números e dados detalhados referentes a processos judiciais movidos contra possíveis vítimas do esquema.
O caso segue sob investigação da Decon. Os suspeitos responderão por crimes contra a economia popular, previstos na Lei específica, associação criminosa, cujas penas somadas podem chegar a cinco anos de reclusão, além de multa, e pelos delitos de extorsão associados às cobranças intimidatórias.
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