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ARTIGO: O movimentar-se na política; Os reais Odoricos renovam os próprios discursos

Jornalista Mauad
Publicado em: 31 de agosto de 2026
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4 Minutos de Leitura
Foto: Divulgação
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Movimentam-se os atores no espaço da política. Movimentos esperados. Ainda que, por vezes, atabalhoadamente. Às pressas, quem sabe. Quase em câmera lenta, talvez. Sem sê-los, de fato, sincronizados. Pois jamais fora o ‘Lago dos Cisnes’. Nem ‘Giselle’. Muito menos ‘A Bela Adormecida’. Ou, tampouco, ‘O Quebra Nozes’. Isso porque uma disputa político-eleitoral, em hipótese alguma, pode ser assemelhada a um balé.

Neste a coreografia se soma à música, e conta uma história. Embora, naquela, possa presenciar-se também passos ensaiados. Gestos, cuidadosamente preparados, que se misturam a falas treinadas. Simuladas e casadas com jogos do marketing. Sempre com vistas à persuasão.

Persuadir-se nada tem a ver com o convencer. Já havia ensinado Aristóteles, em sua ‘Retórica’. Persuadir e convencer são ações. Mas não residem de parede-meia. Também não parentes. Ainda que haja, e há bastante confusão em torno deles. Confusão de sentidos. Sentidos desassistidos. Desassistências ora denunciadas. Ora acobertadas. Acobertar-se e desnudar-se são verbos.

Muitíssimos presentes nos discursos no jogo político. Jogo, a exemplo do teatro, faz-se espetáculo. Espetáculo, no qual os atores se associam. Igualmente se distanciam. Mesmo não oficialmente. Digladiam-se via imprensa. Nos horários de rádio e TV. E mais precisamente nos debates.Debates, cujos formatos tornaram-se velhos (com a bobagem de candidato perguntar para candidato), e sem serventia alguma. Pois quem os vence, está longe de ser o mais competente, o mais preparado para a gestão. Gestar vai além de o simples regurgitar palavras. Ou mesmo desfiar o rosário de promessas. Prometer não é o mesmo que propor. Toda proposição requer estudos, avaliações e argumentos – sustentados por fatos. Ainda que justas por possibilidades. Ao passo que o prometer, depois das disputas, perde-se nos escaninhos da campanha eleitoral. Jamais lembrada. Mesmo cobradas.

Cobranças sobre o cobrado. Cobrado que se faz de ouvidos moucos. Espécie de Odorico Paraguaçu. Personagem da dramaturgia brasileira, criado por Dias Gomes, na peça ‘Odorico, o Bem-Amado’. E imortalizado na novela ‘O Bem-Amado’. Famoso pelos seus discursos pomposos, falsas citações e criações de neologismos (“Os finalmentes justificam os não obstantes”).

Os reais Odoricos renovam os próprios discursos. Incorporam novos tipos. E transforma Deus em seu grande cabo-eleitoral, e na religião, o seu bordão usual. Somados a tiradas que agradam e alimentam as próprias bolhas. Bolhas, embora isoladas, tomaram as redes sociais. Fragmentadas em feudos. Feudos que não se comunicam. Nem se entrelaçam. Ainda que venham parecer do contrário. Pois cada qual se encontra no fundo de si mesma.

Tal como a uma caverna, cuja realidade não passa de sombras refletidas as suas paredes. Próprio do discurso único. Desfavorável ao plural de ideias, e de visões, ou leituras. Leituras que instigam.

Provocam questionamentos. Estes, claro, levam a se posicionarem os diversos segmentos sociais. E, então, enriquecem o jogo. O que contraria as vontades dos coronéis desse mesmo jogo. Pois, estes, veem a si mesmos em xeque-mate. E suas verdades, em decomposição. Para evitarem isso, tentam ‘vender’ seus interesses como se os fossem de todos. É isso.

Lourembergue Alves é professor universitário e estudioso do jogo político

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