O senador Jaques Wagner (PT-BA) aparece em mensagens analisadas pela Polícia Federal no âmbito da investigação relacionada ao Banco Master. De acordo com documentos obtidos pelos investigadores, o parlamentar foi procurado pelo empresário Augusto Lima para intermediar um possível contato com a ministra da Cultura, Margareth Menezes. O relatório da corporação, entretanto, não indica que a conversa entre os dois tenha sido realizada nem aponta qualquer irregularidade envolvendo a ministra.
Jaques Wagner é citado em mensagens analisadas pela PF
Conforme informações reveladas pela revista Veja, a Polícia Federal encontrou a conversa durante a análise do material apreendido na investigação. Nas mensagens, Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, menciona o nome da ministra da Cultura ao senador baiano.
Segundo o relatório, a intenção estaria ligada ao Instituto Terra Firme, entidade criada por Augusto Lima e presidida por sua esposa, a ex-ministra Flávia Peres. Apesar da referência ao instituto, os investigadores não detalham qual seria o objetivo da aproximação entre o senador e a ministra, nem apontam qualquer atuação efetiva relacionada ao pedido.
Conversa ocorreu entre outubro e novembro de 2023
Os registros analisados mostram que, em 31 de outubro de 2023, Jaques Wagner realizou uma ligação telefônica para Augusto Lima. Como a chamada não foi atendida, aproximadamente dez minutos depois o empresário encaminhou uma mensagem contendo apenas o nome de “Margareth Menezes”, escrito com erro de grafia.
No dia seguinte, o senador fez um novo contato com Augusto Lima, desta vez solicitando o telefone do piloto de uma aeronave utilizada por Daniel Vorcaro para organizar uma viagem ao Rio de Janeiro.
Após enviar as informações solicitadas, o empresário voltou ao assunto envolvendo o Instituto Terra Firme e perguntou se o senador havia conseguido falar com a ministra da Cultura. Em resposta, Wagner informou que ainda aguardava um retorno, sem acrescentar novos detalhes sobre o tema.
O que diz o relatório sobre Jaques Wagner
O documento produzido pela Polícia Federal não afirma que tenha ocorrido qualquer conversa entre Jaques Wagner e Margareth Menezes. Da mesma forma, o relatório não apresenta elementos que indiquem favorecimento ao Instituto Terra Firme ou qualquer participação da ministra em ações relacionadas à entidade.
A investigação apenas registra a existência das mensagens e a tentativa de aproximação mencionada pelo empresário. Até o momento, não há descrição de desdobramentos concretos decorrentes desse contato.
Os investigadores também não apontam que o senador tenha praticado qualquer ato além das conversas registradas nas mensagens analisadas durante a apuração sobre o Banco Master.
Ministério da Cultura nega contato com o instituto
Em manifestação oficial, o Ministério da Cultura informou que Margareth Menezes não recebeu representantes do Instituto Terra Firme nem manteve qualquer interlocução relacionada à organização.
A pasta esclareceu ainda que, ao longo de 2023, recebeu somente um convite para que a ministra participasse do evento de lançamento da entidade. Segundo a nota, o convite foi recusado e não houve comparecimento da ministra à cerimônia.
O ministério acrescentou que não existem registros de reuniões, audiências oficiais ou encontros entre Margareth Menezes e integrantes do Instituto Terra Firme, reforçando que não houve relacionamento institucional com a organização.
Investigação segue em andamento
A análise das mensagens integra o conjunto de diligências realizadas pela Polícia Federal na investigação envolvendo o Banco Master. O conteúdo divulgado registra contatos entre os envolvidos, mas o relatório não apresenta conclusões de que tenha existido influência junto ao Ministério da Cultura ou qualquer benefício concedido ao Instituto Terra Firme.
Até o momento, as informações conhecidas indicam apenas que houve uma tentativa de aproximação por meio do senador e que não há comprovação de que o contato com a ministra tenha sido efetivamente realizado.

