*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O Tribunal do Júri que apura o assassinato do advogado Roberto Zampieri, de 57 anos, sofreu uma interrupção inesperada e teve seus trabalhos suspensos na última quarta-feira, dia 29 de julho, no Fórum de Cuiabá. Com a suspensão da sessão, o Conselho de Sentença do Tribunal do Júri foi dissolvido, e uma nova data para a realização do julgamento deverá ser definida futuramente pelo Poder Judiciário.
A suspensão ocorreu por motivo de força maior. Um dos jurados apresentou problemas de saúde, impossibilitando a continuidade da participação no colegiado popular e forçando a interrupção do plenário que já avançava em fase de oitiva de testemunhas.
O ANDAMENTO DO JULGAMENTO ATÉ A SUSPENSÃO
O julgamento havia tido início na última terça-feira, dia 28 de julho, sob a condução do juiz José Mauro Nagib Jorge, titular da 11ª Vara Criminal Especializada. Sentavam no banco dos réus Antônio Gomes da Silva, apontado como o autor dos disparos, Hedilerson Fialho Martins Barbosa, militar do Exército e instrutor de tiro, acusado de atuar como intermediário, e o coronel reformado do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, apontado como o financiador da execução.
Até o momento da interrupção, o plenário já havia avançado de forma consistente na instrução, com a oitiva de seis testemunhas. Prestaram depoimentos cruciais os delegados da Polícia Civil Nilson André Farias de Oliveira e Edilson Ricardo Pick, o delegado da Polícia Federal Marco Bontempo, além das testemunhas civis José Marcos Marini, Mariana Costa Pinto e Lucilene Gonçalves da Silva.
Com a desistência de parte das testemunhas arroladas pelas partes, a fase de instrução testemunhal estava praticamente encerrada, restando a oitiva de apenas mais uma pessoa: Coraci Raimundo de Oliveira, arrolado pela defesa do réu Hedilerson Fialho Martins Barbosa, antes de se iniciar a fase de debates e a posterior votação dos quesitos pelos jurados.
RELEMBRE O CASO
O advogado Roberto Zampieri foi morto com 10 disparos de arma de fogo no final de 2023, quando estava dentro do veículo, estacionado em frente ao escritório na capital. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que um suspeito usando boné se aproximou pelo lado do passageiro, efetuou os tiros através do vidro e fugiu na sequência.
Segundo as investigações conduzidas pela Polícia Civil, o atirador aguardou por cerca de uma hora a saída da vítima, utilizando uma caixa revestida de plástico para esconder a arma do crime.
Com a dissolução do Conselho de Sentença desta quarta-feira, todo o trâmite processual do júri popular precisará ser remarcado pelo juízo competente.

