*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), deflagrou na manhã desta quinta-feira, dia 25 de junho, a Operação Falsa Vantagem. A ação visa desarticular um esquema criminoso especializado em vender falsas facilidades e prometer influência em decisões do Poder Judiciário mediante o pagamento de altas quantias em dinheiro.

Ao todo, os policiais cumpriram cinco mandados de busca e apreensão domiciliar. O objetivo principal das ordens judiciais é apurar a extensão dos fatos, identificar há quanto tempo o grupo atuava de forma habitual e localizar outras possíveis vítimas que tenham caído no golpe.
As investigações apontam que os integrantes do grupo abordavam familiares de pessoas já condenadas pela Justiça, prometendo a anulação total das penas impostas. Para convencer as vítimas, os suspeitos afirmavam ter canal direto e acesso facilitado a uma servidora pública que seria a responsável por minutar as decisões.

Pela garantia do suposto “benefício” judicial, a organização criminosa cobrou o valor de R$ 150 mil, exigindo que o pagamento fosse feito integralmente em espécie. A escolha pelo dinheiro vivo era uma estratégia deliberada para dificultar o rastreamento financeiro por parte das autoridades e dos órgãos de controle.
Apesar do pagamento do montante, o grupo não conseguiu cumprir o combinado. A medida judicial obtida resultou apenas na redução da pena do condenado, e não na anulação total prometida. Sentindo-se lesado, o beneficiário do esquema passou a exigir dos suspeitos a devolução imediata dos valores pagos, o que ajudou a expor a engrenagem do crime.
A rede de influência contava com uma composição heterogênea de profissionais que utilizavam seus conhecimentos e acessos facilitados para dar credibilidade à fraude. Entre os alvos das buscas estão um advogado, bacharéis em Direito, um policial penal e uma servidora pública do Poder Judiciário.
Durante o cumprimento dos mandados, as equipes policiais apreenderam aparelhos celulares, computadores, documentos e diversos materiais. Todo o conteúdo será submetido a perícia técnica e análise detalhada dos investigadores para robustecer o inquérito.
Os investigados deverão responder por uma série de crimes graves que, somados, podem resultar em penas severas de reclusão. O rol de delitos inclui extorsão, exploração de prestígio, estelionato, corrupção e organização criminosa.
As investigações prosseguem sob a coordenação da GCCO e Draco para mapear se o grupo operava em outros processos e identificar novos desdobramentos do esquema em Mato Grosso.

