O Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da aplicação da vacina da dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan após o registro de eventos adversos considerados graves em pessoas imunizadas. A decisão foi divulgada nesta segunda-feira (8) e ocorre enquanto autoridades sanitárias aprofundam a análise de casos que incluem duas mortes suspeitas e outros episódios compatíveis com formas graves da doença.
Segundo informações apresentadas pelo governo federal, aproximadamente 500 mil pessoas receberam o imunizante até o dia 30 de maio. Apesar de a maioria dos vacinados não ter apresentado complicações relevantes, alguns casos chamaram a atenção das equipes de vigilância epidemiológica, levando à adoção da medida preventiva.
Suspensão ocorre por precaução durante investigação
De acordo com o Ministério da Saúde, a interrupção da campanha não significa que exista comprovação de relação direta entre a vacina e os casos registrados. A medida foi recomendada pelo Comitê Nacional de Farmacovigilância após análise inicial dos relatos encaminhados pelos estados e municípios.
Durante coletiva de imprensa, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que as investigações realizadas até o momento não permitiram estabelecer uma ligação definitiva entre a vacinação e os óbitos sob análise. Ainda assim, as autoridades optaram por interromper temporariamente a imunização para ampliar a coleta de informações e garantir maior segurança à população.
A decisão também recebeu apoio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que acompanhará os desdobramentos da investigação.
Vacina da dengue teve mais de 500 mil doses aplicadas
A Butantan-DV representa um marco para a ciência brasileira. O imunizante é considerado a primeira vacina contra dengue desenvolvida integralmente no Brasil e também a primeira do mundo com esquema de dose única.
A estratégia inicial de vacinação priorizou profissionais da área da saúde, grupo que recebeu mais de 417 mil doses desde o início da campanha. Posteriormente, a imunização foi ampliada para moradores de municípios selecionados em diferentes estados.
Foram contempladas populações de cidades como Botucatu, em São Paulo, Maranguape, no Ceará, Nova Lima, em Minas Gerais, além de municípios da região de Araguaína, no Tocantins. Segundo o governo, nessas localidades não foram identificados registros de eventos adversos graves relacionados à vacinação.
Quantidade de notificações registradas
Os dados apresentados pelo Ministério da Saúde apontam que foram registradas 3.703 notificações de eventos adversos após a vacinação, número que representa cerca de 0,7% do total de imunizados.
Grande parte dessas ocorrências envolveu sintomas considerados leves ou moderados. Entretanto, 42 registros apresentaram sinais de alerta compatíveis com quadros graves, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e episódios de sangramento.
Esses casos representam aproximadamente 0,008% do universo de pessoas vacinadas e foram classificados pelas autoridades como eventos extremamente raros.
Casos graves e mortes estão sob análise
Entre os 42 episódios classificados como graves, três evoluíram para situações consideradas críticas. Dentro desse grupo estão duas mortes que seguem sendo investigadas pelas autoridades sanitárias.
Um dos casos envolve uma mulher de 39 anos que começou a apresentar sintomas poucos dias após receber o imunizante. Conforme informações divulgadas pelo governo, ela desenvolveu sinais compatíveis com dengue grave, incluindo febre, dores musculares e náuseas. A paciente precisou ser internada em unidade de terapia intensiva, mas conseguiu se recuperar.
As demais ocorrências continuam sendo avaliadas por especialistas em farmacovigilância, infectologia e epidemiologia, que buscam identificar se há relação causal entre os eventos observados e a vacinação.
Governo orienta monitoramento dos vacinados
O Ministério da Saúde informou que pessoas imunizadas nos últimos 21 dias devem permanecer atentas ao surgimento de sintomas considerados preocupantes.
Entre os sinais que merecem avaliação médica estão febre persistente, dores abdominais, vômitos frequentes, sangramentos e qualquer agravamento do estado geral de saúde.
Além disso, estados e municípios foram orientados a intensificar a busca ativa por possíveis eventos adversos para ampliar o monitoramento da segurança da campanha.
Instituto Butantan reforça confiança no imunizante
Em nota oficial, o Instituto Butantan informou que seguirá integralmente as recomendações emitidas pelo Ministério da Saúde e pela Anvisa. A instituição afirmou que a suspensão possui caráter preventivo e tem como objetivo permitir uma reavaliação mais aprofundada da estratégia de vacinação.
Representantes do instituto destacaram que os estudos realizados antes da aprovação demonstraram resultados positivos de eficácia e segurança, mas reconheceram a importância de analisar cuidadosamente todos os relatos recebidos após o início da aplicação em larga escala.
Especialistas envolvidos no desenvolvimento da vacina também reiteraram o compromisso com o rigor científico e afirmaram que novas evidências serão produzidas para esclarecer os casos em investigação.

