*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta segunda-feira, dia 8 de junho, a Operação Gemini, que apura um suposto esquema de comercialização de decisões judiciais e lavagem de dinheiro no âmbito do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
A ação é um desdobramento direto e corresponde à segunda fase da Operação Sisamnes, que investiga corrupção no Judiciário, venda de sentenças e vazamento de informações sigilosas vindas do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Entre os principais alvos da operação estão o deputado estadual Faissal Calil (PL), o desembargador afastado do TJMT Dirceu dos Santos, e o advogado Bruno Castro, além de outros cinco investigados.
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão domiciliar, buscas pessoais, além de medidas judiciais de afastamento de sigilos bancário, fiscal e telemático, expedidas pelo STJ. Os envolvidos são investigados pelos crimes de corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro.
LUXO E ARMAS: AS APREENSÕES DA POLÍCIA FEDERAL
Durante o cumprimento das ordens judiciais nos endereços ligados aos alvos, os agentes federais apreenderam um verdadeiro arsenal e itens de alto luxo. Entre os materiais recolhidos estão armas de grosso calibre, incluindo um fuzil, um revólver, farta munição e canetas de luxo.

Chamou a atenção dos investigadores a apreensão de um relógio da marca Rolex, avaliado em mais de R$ 200 mil, além de 11 canetas de luxo de marcas renomadas como a Montblanc, cujos valores unitários variam entre R$ 7 mil e pouco mais de R$ 11 mil.

O SUPOSTO PAPEL DE FAISSAL E O ESQUEMA DE r4 3,2 MILHÕES
Segundo a nota oficial emitida pela Polícia Federal, o grupo investigado movimentou cerca de R$ 3,2 milhões em espécie, por meio de uma sucessão de depósitos e saques bancários. A PF aponta que o desembargador Dirceu dos Santos operava por meio de um “complexo e simbiótico esquema de interposição patrimonial e financeira”.
As investigações apontam o deputado Faissal Calil, que trabalhou no gabinete do magistrado entre os anos de 2017 e 2018, como o “braço operacional” do esquema.
“O magistrado utilizava-se de um operador econômico, advogado e parlamentar estadual, de estrita confiança que funcionava como seu verdadeiro braço operacional e longa manus para o recebimento de vantagens indevidas, quitação de passivos familiares e triangulações imobiliárias simuladas com terceiros (‘laranjas’). As condutas buscavam conferir aparência de licitude ao proveito dos crimes”, destacou a PF em nota.
A Polícia Federal revelou ainda que foram identificados repasses financeiros expressivos, sem qualquer lastro negocial justificado.
DESEMBARGADOR ACUMULOU PATRIMÔNIO DE r$ 16 MILHÕES
O desembargador Dirceu dos Santos já se encontrava afastado das funções desde março deste ano, por determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O magistrado responde a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que apura suspeitas de venda de sentenças, corrupção, lavagem de dinheiro e nepotismo cruzado.
De acordo com o CNJ, Dirceu apresentou uma variação patrimonial completamente incompatível com os rendimentos declarados. Em um período de apenas cinco anos, ele acumulou um patrimônio avaliado em mais de R$ 16 milhões. Entre os bens está um apartamento de alto padrão avaliado em R$ 1 milhão no bairro Duque de Caxias, em Cuiabá. A investigação aponta que o imóvel, localizado no Edifício Vila Real, teria sido adquirido mediante uma “permuta” realizada com o deputado Faissal Calil.
O OUTRO LADO: DEPUTADO NEGA CRIMES E ENTREGA CELULAR A POLÍCIA FEDERAL
O deputado estadual Faissal Calil (PL) negou veementemente qualquer participação nos fatos investigados e ressaltou que recebeu os policiais com total tranquilidade. O parlamentar confirmou que os agentes apreenderam o telefone celular dele, mas destacou que o aparelho foi entregue de forma voluntária, juntamente com as senhas de acesso à nuvem.
“Não tem nada a ver com o meu mandato de deputado. É uma decisão do STJ. Nós não temos ainda ciência do teor dessa decisão. Eu estou aqui pronto para esclarecer todos os fatos. Quem não deve, não teme. Não tem nenhuma transação econômica minha com ele. Isso aí não é verdade. E eu sou o mais interessado para que isso seja esclarecido o mais rápido possível”, declarou Faissal.
O deputado explicou que cortou relações profissionais no Judiciário assim que ingressou na política.
“Desde que eu virei deputado, que eu saí do Tribunal de Justiça, eu perdi todo o meu contato. Eu simplesmente me afastei. Então, isso não é verdade. Pode investigar o que for. Eu estou muito tranquilo. Dei meu iCloud, fiz tudo o que a polícia pediu, eu fiz aqui para eles. Eu não me esquivei nenhum minuto”, afirmou.
Faissal também fez questão de rebater a informação sobre os itens de luxo apreendidos, negando que as armas, joias ou o relógio Rolex de R$ 200 mil pertençam a ele ou estivessem na casa dele.
“Em casa eles não encontraram nada. Eles queriam meu celular, dei na hora meu celular e acendi o iCloud. Pronto. Pode fazer o que quiserem. Que façam o melhor uso dele, que a verdade venha à tona o quanto antes”, concluiu o parlamentar.
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