*Sêmia Mauad/ Opinião MT
A base política do ex-presidente Jair Bolsonaro em Mato Grosso reagiu com rapidez e contundência ao vazamento de áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL). Os registros, que circulam nos bastidores de Brasília e ganharam repercussão nacional. No entanto, para os expoentes do PL no estado, o episódio é visto como uma “guerra desleal” e um combustível para acelerar a investigação sobre o Banco Master.
O CONTEÚDO DOS ÁUDIOS: INTERLOCUÇÃO COM O BANCO MASTER
Os áudios vazados revelam conversas de Flávio Bolsonaro e o empresário, Daniel Vorcaro. Nas gravações, o senador intercede diretamente para viabilizar o fluxo financeiro de um projeto cultural.
O senador buscava garantir que o aporte financeiro para a produção do filme “Dark Horse”, que conta a história do próprio pai, Jair Bolsonaro. A intenção dele era que o filme não fosse interrompido por falta de pagamento.
A produção conta com a participação do ator de Hollywood, Jim Caviezel (conhecido por A Paixão de Cristo).
O CONTEXTO
O deputado federal e pré-candidato ao Senado, José Medeiros (PL), foi um dos mais enfáticos ao justificar a conduta do senador, separando o lobby político do uso de verbas estatais.
“Flávio não é a mãe Dinah. Ele como filho também estava correndo atrás de financiamento para um filme que ia homenagear o seu pai. Um filme aliás que está sendo feito por um dos melhores atores de Hollywood, Caviezel. Procurou uma instituição bancária e como todo banco financiava projetos culturais. Não foi atrás de Lei Rouanet. Não foi atrás de dinheiro público. Foi atrás de dinheiro privado”, afirmou Medeiros.
O deputado ainda minimizou as cobranças mencionadas nos áudios, tratando-as como uma relação comercial comum.
“Nada tinha o que desabonasse esse banco e ele começou a atrasar as parcelas e solicitou que fosse pago as parcelas”.
CPI DO BANCO MASTER
Tanto Medeiros quanto o vereador de Cuiabá, Rafael Ranalli (PL), utilizaram o episódio para reforçar o pedido de abertura da CPI do Banco Master. A tese é de que o vazamento dos áudios seria uma retaliação do “sistema” ou de setores do banco que estão sob investigação por outros escândalos, como o vazamento de dados do INSS.
Ranalli, que lém de vereador é policial federal, reafirmou a lealdade.
“Mais Bolsonaro e mais Flávio do que nunca. A gente sabe que a guerra ia ser desleal. O próprio pronunciamento do Flávio já demonstra: CPI do Banco Master. Quem deve tem que pagar”.
FISSURAS NA DIREITA: O “FATOR ZEMA”
A crise dos áudios também serviu para expor divisões internas. Ranalli criticou duramente o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que publicou vídeo nas redes sociais dizendo que o que o Flávio fez foi “imperdoável”.
O vereador classificou a atitude de Zema como oportunismo sucessório.
“Já vimos aí o pseudo vice-presidente da chapa já ganancioso. Zema não esperou nem esfriar para vir detonar e jogar areia”.
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