Uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), divulgada nesta sexta-feira (24), determinou a proibição dos chamados mercados de previsão no Brasil, atingindo diretamente plataformas como a Polymarket. A medida impede a operação de empresas que vinham sendo criticadas por atuarem de forma semelhante a sites de apostas, porém sem cumprir as mesmas regras regulatórias exigidas no país.
Impacto da decisão sobre plataformas de previsão
A nova regulamentação afeta empresas que vinham expandindo sua atuação no Brasil, como a Kalshi e a própria Polymarket. Essas companhias operam com contratos baseados em previsões de eventos futuros, incluindo disputas eleitorais, resultados esportivos e outros acontecimentos relevantes.
Segundo o governo federal, ao todo, 27 empresas tiveram suas operações bloqueadas no território nacional. A justificativa está na ausência de regulamentação específica para esse tipo de atividade, que vinha sendo comparada a apostas tradicionais, porém sem a mesma supervisão.
Funcionamento dos mercados preditivos
Os mercados de previsão permitem que usuários invistam em cenários futuros, como resultados eleitorais. O valor das apostas varia de acordo com a entrada de novos participantes e mudanças nas expectativas sobre determinado evento, criando uma dinâmica semelhante à de ativos financeiros.
Polymarket e oscilações nas apostas políticas
Dados recentes da Polymarket mostram mudanças relevantes no comportamento dos usuários em relação às eleições presidenciais brasileiras. Antes da proibição, as apostas indicavam um cenário competitivo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro.
Até a manhã de sexta-feira (24), Lula concentrava cerca de 39% das apostas, enquanto Flávio aparecia com 38,3%. Após a divulgação da medida do CMN, houve uma queda na participação do presidente, que passou a registrar 36% das apostas ao longo da tarde, atingindo o menor índice desde o início das negociações na plataforma. Já o senador manteve-se com aproximadamente 38%.
Histórico recente das apostas
Nos dias anteriores, o cenário já indicava equilíbrio. Em 18 de abril, Flávio Bolsonaro chegou a liderar com cerca de 41%, enquanto Lula registrava 40%. Dois dias antes, ambos apareciam tecnicamente empatados, com aproximadamente 40% cada.
No fim de março, no entanto, o quadro era distinto. Em 31 de março, Lula concentrava 52% das apostas, contra 29,7% atribuídos ao senador, indicando uma vantagem mais ampla naquele momento.
Dinâmica das cotações na plataforma
As variações observadas refletem o comportamento dos usuários dentro da Polymarket, onde as cotações são ajustadas em tempo real. Esse modelo leva em consideração tanto o volume de apostas quanto as percepções sobre o cenário político, resultando em mudanças constantes nos percentuais. Com a decisão do CMN, a continuidade desse tipo de operação no Brasil fica inviabilizada, alterando o acesso dos usuários a esse formato de mercado.

