O agronegócio brasileiro encerrou 2025 com o maior volume histórico de pedidos de recuperação judicial já registrados no país. Dados divulgados pela Serasa Experian apontam que, ao longo do último ano, foram contabilizadas 1.990 solicitações envolvendo produtores rurais e empresas ligadas ao setor, número que evidencia o aumento das dificuldades financeiras enfrentadas por parte da cadeia produtiva.
O levantamento considera três perfis distintos dentro do agronegócio: produtores rurais que atuam como pessoa física, produtores estruturados como pessoa jurídica e empresas relacionadas ao setor agrícola. A soma desses grupos revela um crescimento expressivo em relação aos anos anteriores.
Crescimento dos pedidos de recuperação judicial no agronegócio
De acordo com os dados apresentados pela Serasa Experian, o total de solicitações registradas em 2025 representa um aumento de 56,4% em comparação com 2024. Naquele ano, foram contabilizados 1.272 pedidos. Quando a análise retrocede para 2023, a diferença se torna ainda mais significativa. Naquele período, o número de solicitações foi de 534, o que demonstra uma aceleração do processo de recuperação judicial nos últimos dois anos.
Esse avanço indica que produtores e empresas do setor enfrentaram um cenário financeiro mais complexo, o que levou muitos a recorrerem ao instrumento jurídico da recuperação judicial para reorganizar suas dívidas e manter as atividades em funcionamento.
Fatores que pressionam o setor
Segundo Marcelo Pimenta, responsável pelo setor de agronegócio da Serasa Experian, diversos fatores contribuíram para o aumento das solicitações registradas ao longo de 2025. Entre os principais pontos mencionados estão a restrição no acesso ao crédito, os custos elevados de produção e o alto nível de endividamento de parte dos produtores e empresas do setor. Esses elementos, quando combinados, impactam diretamente o fluxo de caixa das operações rurais.
Ainda de acordo com o especialista, o ambiente financeiro mais restritivo acabou dificultando a manutenção da rentabilidade em diversas atividades agrícolas, o que levou produtores a buscar alternativas legais para reorganizar suas finanças.
Estados com mais pedidos de recuperação judicial
O levantamento também detalhou a distribuição geográfica das solicitações no país. Mato Grosso aparece como o estado com maior número de casos registrados em 2025, totalizando 332 solicitações. Logo em seguida está Goiás, com 296 registros. O Paraná ocupa a terceira posição no ranking, com 248 pedidos. Na sequência aparecem Mato Grosso do Sul, com 216 ocorrências, e Minas Gerais, com 196.
Esses estados concentram parte significativa da produção agrícola brasileira, especialmente nas cadeias de grãos e pecuária, o que ajuda a explicar a presença mais expressiva de processos relacionados à reorganização financeira no setor.
Perfil dos produtores que solicitaram recuperação judicial
A análise também identificou diferenças entre os perfis de produtores e empresas que recorreram ao processo de recuperação judicial. Os produtores rurais que atuam como pessoa física representaram o maior volume de casos registrados em 2025. Esse grupo foi responsável por 853 solicitações ao longo do ano. Em 2024, haviam sido contabilizados 566 pedidos, o que representa um crescimento de 50,7%.
Produtores como pessoa jurídica
Outro grupo que apresentou aumento significativo foi o de produtores rurais estruturados como pessoa jurídica. Em 2025, foram registrados 753 pedidos nesse perfil. No ano anterior, o número havia sido de 409 solicitações. A diferença indica um avanço anual de 84,1%, mostrando que empresas rurais formalizadas também enfrentaram dificuldades financeiras relevantes no período.
Empresas ligadas ao agronegócio
Além dos produtores, empresas diretamente relacionadas ao agronegócio também recorreram ao processo judicial para reorganização de dívidas. Em 2025, esse grupo registrou 384 solicitações. Em 2024, haviam sido contabilizados 297 casos, o que representa um crescimento anual de 29,3%. Essas empresas incluem negócios que atuam em áreas como fornecimento de insumos, logística, processamento e outras atividades conectadas à produção agrícola.

