As operações de resgate realizadas pelo Corpo de Bombeiros chegaram ao quinto dia neste sábado (28) em municípios da Zona da Mata mineira, enquanto o número de mortos atinge 70 em decorrência das fortes chuvas que castigam a região desde o início da semana. As equipes atuam principalmente em Juiz de Fora e Ubá, onde ainda há registros de desaparecidos.
Número de mortos e desaparecidos nas cidades atingidas
De acordo com balanço divulgado pela Polícia Civil e pelo Corpo de Bombeiros, Juiz de Fora concentra a maior parte das vítimas. No município, foram confirmadas 64 mortes e um desaparecido. Entre os corpos localizados, 60 já haviam sido resgatados pelos militares até a última atualização.
Em Ubá, o cenário também é grave. A cidade contabiliza seis óbitos e dois desaparecidos. Os trabalhos de busca seguem em áreas consideradas críticas, onde há risco de novos deslizamentos.
Atualização em Cataguases
Na sexta-feira (27), um novo desaparecido foi incluído na lista oficial em Cataguases, município que também sofreu impactos das chuvas recentes. A inclusão ocorreu após registros de ocorrências associadas aos temporais que atingiram a cidade.
Buscas se concentram no bairro Paineiras
Em Juiz de Fora, as equipes direcionam esforços ao bairro Paineiras, onde um menino de 9 anos segue desaparecido. Militares contam com o apoio de voluntários na retirada de lama acumulada, dificultando o acesso a determinados pontos da comunidade.
A cidade enfrenta precipitações intensas desde segunda-feira (23), o que resultou em dezenas de deslizamentos de terra. Segundo a Defesa Civil, somente em Juiz de Fora foram registradas 2.367 ocorrências relacionadas às chuvas. O município soma 8.584 pessoas entre desabrigadas e desalojadas.
População em áreas de risco
Levantamento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) aponta que Juiz de Fora ocupa a 9ª posição no ranking nacional de cidades com maior número de habitantes vivendo em áreas de risco. Dos 540.756 moradores, 128.946 residem em regiões suscetíveis a deslizamentos, enchentes e enxurradas, o que representa 23,7% da população.
Situação de calamidade e medidas adotadas
Juiz de Fora e Ubá foram as únicas cidades da região a decretarem estado de calamidade pública. Além delas, outros 12 municípios, entre eles Leopoldina, Muriaé e Viçosa, permanecem em situação de emergência em razão dos danos provocados pelas chuvas.
O governo de Minas Gerais anunciou a antecipação de recursos para auxiliar na reconstrução e no atendimento às vítimas. Foram destinados R$ 38 milhões para Juiz de Fora e R$ 8 milhões para Ubá. Também foi estabelecido luto oficial de três dias em decorrência das perdas registradas.
Alertas de risco permanecem ativos
A Defesa Civil e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantêm alerta de “grande perigo” para a região. A saturação do solo aumenta a probabilidade de novos deslizamentos e alagamentos, exigindo atenção redobrada das autoridades e moradores.
O governador Romeu Zema afirmou que o Estado atravessa um momento de forte impacto social e destacou que as equipes seguem mobilizadas para resgatar vítimas e prestar assistência às famílias afetadas.
A Coordenadoria Estadual de Defesa Civil de Minas Gerais continua distribuindo itens de apoio, como cestas básicas, colchões, kits de higiene e limpeza, além de telhas, lonas e baldes. Paralelamente, equipes atuam na remoção de lama acumulada em vias urbanas e rodovias atingidas pelos deslizamentos.

