As chuvas em Minas Gerais provocaram ao menos 25 mortos na Zona da Mata entre a segunda-feira (23) e a madrugada desta terça-feira (24). De acordo com o Corpo de Bombeiros, 18 vítimas foram registradas em Juiz de Fora e outras sete em Ubá. Além das mortes confirmadas, 43 pessoas seguem desaparecidas, entre elas sete crianças, enquanto equipes de resgate continuam as buscas nas áreas afetadas.
Impacto das chuvas em Minas Gerais na Zona da Mata
Em Juiz de Fora, os óbitos ocorreram em sete bairros distintos, atingidos por deslizamentos de terra e soterramentos. Conforme informações da prefeitura, quatro pessoas morreram na Rua Natalino José de Paula, no bairro JK, e outras quatro na Rua Orville Derby Dutra, em Santa Rita. Também foram registradas duas mortes na Rua João Luís Alves, na Vila Ideal.
Houve ainda ocorrências com vítimas fatais na Rua José Francisco Garcia, no bairro Lourdes; na Rua Eurico Viana, na Vila Alpina; na Estrada Athos Branco da Rosa, no bairro São Benedito; e na Rua Jacinto Marcelino, na Vila Olavo Costa.
Segundo o Corpo de Bombeiros, 136 militares foram mobilizados para atender as ocorrências em toda a região. Desse total, 108 atuam em Juiz de Fora e 28 em Ubá. Durante a madrugada, 13 pessoas foram resgatadas com vida na principal cidade afetada.
Decreto de calamidade pública
A Prefeitura de Juiz de Fora informou que fevereiro de 2026 se tornou o mês mais chuvoso já registrado na história do município. Até as 10h de segunda-feira, o acumulado chegou a 460,4 milímetros, superando o recorde anterior de fevereiro de 1988, quando foram contabilizados 456 milímetros.
O volume registrado representa 270% do esperado para o mês, equivalente a 1,7 vez acima da média histórica. Diante do cenário provocado pelas chuvas em Minas Gerais, o município decretou estado de calamidade pública por 180 dias. Com a medida, servidores administrativos foram autorizados a trabalhar remotamente, e as aulas na rede municipal foram suspensas.
Situação em Ubá após temporais
Em Ubá, a prefeitura divulgou nota oficial relatando que, em um intervalo de seis horas, foram acumulados 124,2 milímetros de chuva. Historicamente, o total esperado para todo o mês de fevereiro varia entre 170 mm e 200 mm, o que demonstra a intensidade do temporal concentrado em poucas horas.
A enchente provocou alagamentos em diversos pontos da cidade e o transbordamento do Ribeirão Ubá, que inundou a Avenida Comendador Jacinto Soares de Souza Lima, conhecida como Beira-Rio, além de comprometer pontes da região.
Equipes da prefeitura, do Corpo de Bombeiros, da Guarda Civil Municipal e da Defesa Civil seguem mobilizadas desde a madrugada, realizando levantamento de danos e adotando medidas emergenciais. As autoridades orientaram a população a acionar o telefone 193 em caso de emergência e evitar deslocamentos desnecessários, já que há previsão de mais precipitações nas próximas horas.
Para auxiliar nas buscas, um comboio do Corpo de Bombeiros saiu de Belo Horizonte ainda na madrugada de terça-feira. Vinte e dois militares foram deslocados para Juiz de Fora, levando três cães farejadores que irão atuar na localização de possíveis vítimas sob escombros.
As operações continuam nas áreas atingidas, com prioridade para a localização de desaparecidos e atendimento às famílias afetadas pelas chuvas em Minas Gerais.

