A morte de El Mencho desencadeou uma série de confrontos violentos em diferentes regiões do México, resultando em pelo menos 73 mortos, segundo informações divulgadas pelo governo e repercutidas por agências internacionais. Entre as vítimas estão 25 integrantes da Guarda Nacional, atingidos em ataques coordenados no estado de Jalisco.
Quem era El Mencho
Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, foi morto no domingo (22) durante uma operação militar. Ele liderava o Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), organização criminosa apontada como uma das mais poderosas do país. O grupo atua no tráfico internacional de drogas, incluindo cocaína, metanfetamina e fentanil, com rotas direcionadas principalmente aos Estados Unidos.
Considerado um dos criminosos mais procurados pelas autoridades mexicanas, El Mencho era alvo prioritário das forças de segurança há anos.
Ataques após a morte de El Mencho deixam militares mortos
De acordo com o ministro da Segurança do México, Omar García Harfuch, os 25 agentes da Guarda Nacional morreram em seis ataques distintos registrados em Jalisco. Além deles, também perderam a vida um agente penitenciário, um integrante do Ministério Público estadual e uma mulher cuja identidade não foi revelada.
Harfuch informou ainda que cerca de 30 suspeitos de envolvimento com organizações criminosas foram mortos em Jalisco, enquanto outros quatro morreram em confrontos no estado de Michoacán. Ao todo, aproximadamente 34 suspeitos perderam a vida nas ações.
Segundo o ministro, 70 pessoas foram presas em sete estados durante os episódios de violência atribuídos a apoiadores do cartel.
Criada em 2019, a Guarda Nacional surgiu como força de segurança de caráter civil, com a missão de substituir a antiga Polícia Federal e reforçar o combate ao crime organizado. Posteriormente, a corporação passou a ficar sob comando militar, vinculada à Secretaria de Defesa.
Os ataques registrados após a morte de El Mencho atingiram diretamente integrantes dessa força, ampliando a tensão no cenário de segurança pública.
O secretário de Defesa do México, Ricardo Trevilla, afirmou que as autoridades localizaram o paradeiro do líder do cartel após o monitoramento de uma visita feita por sua companheira. A informação teria sido determinante para a deflagração da operação que resultou na morte do narcotraficante.
As autoridades não detalharam pormenores da ação militar, mas confirmaram que a ofensiva foi planejada com base em dados de inteligência.
México permanece em alerta
Após os confrontos, o país entrou em estado de alerta. Escolas foram fechadas em pelo menos oito estados como medida preventiva. No domingo, foram registrados 229 bloqueios em rodovias, segundo balanço oficial.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, pediu tranquilidade à população e afirmou que as autoridades trabalham para restabelecer a normalidade. Ela declarou que espera a retomada dos voos com destino e partida de Puerto Vallarta até esta terça-feira (24) e informou que não há mais bloqueios ativos nas estradas.
Sheinbaum também anunciou a criação de um grupo de trabalho voltado à investigação de esquemas de lavagem de dinheiro ligados aos cartéis de drogas, reforçando que a prioridade do governo é garantir segurança e estabilidade.

