*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O feminicídio de Lucieni Naves Correia, de 51 anos, ocorrido na manhã da última segunda-feira, dia 16 de fevereiro, no bairro Osmar Cabral, em Cuiabá, traz à tona um cenário alarmante de violência persistente. Lucieni, que era professora da EMEB Constança Palma Bem Bem, foi executada a tiros pelo ex-marido, Paulo Neves Bispo, de 61 anos, mesmo após ter buscado ajuda.
O HISTÓRICO DE MEDO
Lucieni não era uma vítima silenciosa. No final do ano passado, ela ingressou com um pedido de medida protetiva contra Paulo. Os relatos dela às autoridades, a professora descrevia um cotidiano de violência psicológica e perseguição implacável.
Ela denunciava que o agressor era violento não apenas com ela, mas também com as duas filhas do casal. Paulo já possuía antecedentes criminais por injúria e ameaça contra uma das próprias filhas, evidenciando um perfil agressivo e controlador que não aceitava o fim do relacionamento.
A EMBOSCADA: INVASÃO E MORTE
Mesmo com o dispositivo de segurança conhecido como “Botão do Pânico”, Lucieni não teve tempo de reagir. Segundo testemunhas, Paulo rondava a residência da vítima há cerca de uma semana.
Na manhã de ontem, o agressor pulou o muro da residência, invadiu a casa e efetuou diversos disparos contra a ex-esposa. A Politec agora trabalha para determinar o número exato de tiros que atingiram a professora. Uma arma de fogo, calibre .38, foi apreendida.
PLANO DE MASSACRE E O OUTRO ALVO: A FILHA GRÁVIDA
A crueldade de Paulo Neves Bispo não se limitou à ex-esposa. De acordo com as investigações preliminares, após matar Lucieni, a intenção do agressor era se deslocar até um segundo local para executar a própria filha, que está grávida.
O massacre só não foi maior devido à intervenção de um policial militar à paisana que estava na região. Ao perceber a fuga do agressor em direção à casa da filha, o policial reagiu, baleou e matou o suspeito nas proximidades da residência que seria o próximo alvo.

