*Sêmia Mauad/ Opinião MT
O Carnaval de 2026 no Rio de Janeiro extrapolou os limites da arte e mergulhou no centro da disputa ideológica brasileira. Em Mato Grosso, estado com forte base conservadora, expoentes do PL e do União Brasil reagiram com indignação à escola de samba Acadêmicos de Niterói. Para os parlamentares mato-grossenses, o desfile não foi apenas uma homenagem, mas uma afronta à fé cristã e um ato flagrante de campanha eleitoral antecipada.
ABÍLIO BRUNINI: “ALI NÃO É LUGAR DE QUEM AMA A DEUS”
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), foi um dos mais incisivos. Em um vídeo que rapidamente viralizou, Brunini utilizou a metáfora do Carnaval como um “baile de máscaras” para afirmar que a “máscara da esquerda caiu”.
O prefeito conectou o desfile a falas recentes de Lula sobre a necessidade de conquistar o eleitorado evangélico, classificando a apresentação como uma revelação do “ódio” que o PT nutriria pelos cristãos.
“Ali não é lugar de evangélico. Ali não é lugar de quem ama a Deus. Aquele lugar ali está servindo a outros deuses”, disparou Abilio, ironizando o evento ao dar “parabéns” aos organizadores por exporem o que ele chama de desrespeito à família e aos valores conservadores.
WELLINGTON FAGUNDES: FÉ NÃO É MATERIAL DE PROPAGANDA
O pré-candidato ao governo de Mato Grosso pelo PL, o senador Wellington Fagundes (PL) seguiu a linha da defesa religiosa, mas acrescentou o componente jurídico à crítica. Para ele, o uso de um palco público com financiamento estatal para enaltecer um político e, simultaneamente, satirizar crenças religiosas, fere a liberdade religiosa garantida pela Constituição.
“Fé se respeita. Não se usa. Não se ataca. Não se transforma em palanque”, escreveu o senador, reforçando que a apresentação ultrapassou a liberdade de expressão para se tornar um “deboche da fé de milhões”.
CORONEL ASSIS: COMPARAÇÃO COM REGIMES AUTORITÁRIOS
O deputado federal Coronel Assis (União-MT) foi além na análise política, comparando a estética e a finalidade do desfile a propagandas estatais de regimes como o da Coreia do Norte. O ponto central de sua crítica foi a participação direta do presidente, que desceu à avenida e caminhou entre as alas.
“Se cantar número de partido em evento financiado pelo Estado não é propaganda antecipada, o que caracteriza propaganda antecipada?”, questionou Assis, apontando para uma suposta “régua desigual” do Judiciário ao julgar atos da esquerda versus atos da direita.
RANALLI: REPÚDIO AO USO DE DINHEIRO PÚBLICO
O vereador por Cuiabá, Rafael Ranalli (PL), focou na questão financeira, reiterando sua postura contrária ao patrocínio público para o Carnaval. Ranalli classificou as cenas como “escrotas” e afirmou ser inadmissível usar recursos dos impostos para ridicularizar metade da população brasileira que se identifica como conservadora.
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