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23 de outubro de 2026 02:29

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OpiniãoMT > Blog > Mundo > Racionamento: Cuba libera apenas 3 quilos arroz mensal para cada habitante
Mundo

Racionamento: Cuba libera apenas 3 quilos arroz mensal para cada habitante

Cuba ativa plano de contingência diante da escassez de combustível após novas sanções dos EUA e agravamento da crise energética.

Redação OPMT
Publicado em: 16 de fevereiro de 2026
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6 Minutos de Leitura
Sem energia, Cuba libera apenas 3 quilos arroz mensal para cada habitante
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A crise energética em Cuba atingiu um novo patamar após o endurecimento das restrições impostas pelos Estados Unidos, levando o governo da ilha a anunciar medidas emergenciais para conter os efeitos da escassez de combustível. O cenário atual é considerado o mais severo desde o chamado Período Especial, na década de 1990, quando o colapso da União Soviética provocou forte retração econômica no país.

Diante da redução drástica no fornecimento de petróleo, as autoridades cubanas confirmaram a ativação da chamada “Opção Zero”, um plano de contingência criado para enfrentar situações de escassez extrema. A medida prevê racionamento rigoroso, incentivo à produção local de alimentos e até a utilização de tração animal como alternativa ao transporte movido a combustível.

Medidas internas e racionamento

O Ditador Miguel Díaz-Canel confirmou que o país entrou oficialmente na fase de contingência máxima prevista pela “Opção Zero”. Entre as ações anunciadas está a garantia de distribuição mensal de apenas sete libras (3,17 kgs) de arroz por habitante, além do estímulo à produção agrícola local para reduzir a dependência de importações.

As autoridades também reforçaram o discurso de priorização de bens produzidos internamente, em tentativa de mitigar os efeitos da escassez de combustíveis e de insumos estratégicos.

A adoção dessas medidas remete ao período crítico vivido na década de 1990, quando a economia cubana sofreu forte retração após a dissolução da União Soviética, então principal parceira comercial da ilha.

Bloqueio intensifica crise em Cuba

A atual conjuntura ganhou novos contornos após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinar a Ordem Executiva 14380, em 29 de janeiro de 2026. O documento declara emergência nacional e autoriza a aplicação de tarifas a países que comercializem petróleo com Cuba, direta ou indiretamente. A justificativa apresentada pelo governo norte-americano menciona suposto apoio da ilha a nações consideradas hostis, como Rússia, China e Irã, além de organizações classificadas como terroristas.

Paralelamente, uma operação militar norte-americana no início de janeiro resultou na captura do líder venezuelano Nicolás Maduro, afetando diretamente o abastecimento da ilha. A Venezuela era apontada como principal fornecedora de petróleo bruto com condições facilitadas para o governo cubano.

Dados divulgados pela agência Bloomberg indicam que Cuba depende de importações para cerca de 60% dos aproximadamente 100 mil barris diários necessários para manter sua estrutura energética em funcionamento. A interrupção desse fluxo comprometeu significativamente a geração de eletricidade.

O México, que também figurava como fornecedor relevante, suspendeu o envio de petróleo sob pressão diplomática de Washington. Apesar disso, a presidente mexicana Claudia Sheinbaum autorizou o envio de dois navios da marinha com mais de 800 toneladas de suprimentos humanitários destinados a Havana.

Apagões prolongados e impactos econômicos

A crise no setor energético provocou efeitos imediatos na rede elétrica da ilha. Relatos indicam que mais de 60% do território enfrentou cortes de energia durante os horários de maior consumo, enquanto o déficit elétrico alcançou quase 2 mil megawatts.

Análises de imagens de satélite apontaram redução expressiva na luminosidade noturna em cidades do leste do país, como Santiago de Cuba e Holguín, quando comparadas a médias históricas. O cenário evidencia a gravidade do colapso na geração e distribuição de energia.

A escassez de combustível também afetou diretamente o turismo, uma das principais fontes de receita da economia cubana. O querosene de aviação tornou-se indisponível nos nove aeroportos internacionais da ilha, ao menos até meados de março. Como consequência, companhias aéreas, entre elas a Air Canada, suspenderam temporariamente as operações para o destino.

Mais de 30 hotéis de grande porte em regiões turísticas como Varadero e os cayos do norte interromperam atividades. Os visitantes que permanecem no país foram concentrados em um número reduzido de estabelecimentos ainda operacionais. Eventos tradicionais, como o Festival Anual de Habanos, dedicado à indústria de charutos, também foram adiados.

Ajuda humanitária e reações internacionais

Em meio ao agravamento da crise, o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou o envio de um novo pacote de ajuda humanitária avaliado em US$ 6 milhões, somado a um repasse anterior de US$ 3 milhões. Os mantimentos, compostos por alimentos e produtos de higiene, estão sendo distribuídos por meio da Igreja Católica, com o objetivo declarado de evitar a intermediação direta do governo cubano.

Sete contêineres com suprimentos chegaram à cidade de Santiago de Cuba no dia 10 de fevereiro, segundo informações oficiais.

No cenário internacional, representantes das Nações Unidas manifestaram preocupação com a situação. O secretário-geral António Guterres alertou que o quadro humanitário pode se deteriorar ainda mais caso as necessidades energéticas do país não sejam atendidas. Especialistas em direitos humanos vinculados à ONU classificaram as restrições como violações graves.

O embaixador cubano junto à ONU, Ernesto Soberón Guzmán, afirmou que as medidas configuram desrespeito ao direito internacional. Já o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, declarou que eventuais flexibilizações dependeriam de mudanças políticas e econômicas por parte do governo da ilha.

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