A Justiça de São Paulo determinou, nesta quinta-feira (12), a soltura do influenciador Gabriel Spalone, investigado por suposta participação em um esquema de desvio milionário por meio do sistema Pix. A decisão foi proferida pela juíza Amanda Eiko Sato, da 32ª Vara Criminal da capital paulista, que revogou a prisão preventiva e aplicou medidas cautelares no lugar da custódia.
Medidas cautelares impostas a Gabriel Spalone
Com a revogação da prisão, Gabriel Spalone deverá cumprir uma série de determinações judiciais enquanto responde ao processo em liberdade. Entre as medidas estabelecidas estão a entrega do passaporte, a obrigação de manter o endereço atualizado e o comparecimento mensal em juízo.
A magistrada também determinou que o investigado permaneça em sua residência no período noturno e em dias de folga. Além disso, foi fixada fiança no valor de R$ 50 mil. Em audiência, o influenciador informou à Justiça que possui renda mensal estimada entre R$ 35 mil e R$ 40 mil.
Ao fundamentar a decisão, a juíza destacou que há elementos que indicam a materialidade do crime e indícios suficientes de autoria. No entanto, considerou a primariedade do réu e avaliou que a manutenção da prisão preventiva não se justificaria nesse momento processual.
No despacho, a magistrada registrou que a liberdade concedida representa um voto de confiança do Judiciário, acompanhado de advertência quanto às consequências de eventual descumprimento das condições impostas ou reiteração de condutas ilícitas.
Prisão internacional e extradição
Gabriel Spalone foi detido em setembro de 2025 no Aeroporto Internacional de Buenos Aires, na Argentina. A prisão ocorreu após alerta internacional emitido pela Interpol. Posteriormente, ele foi extraditado ao Brasil, onde passou a responder às acusações sob regime de prisão provisória.
Desde então, o caso tramita na Justiça paulista, com acompanhamento do Ministério Público de São Paulo, responsável pela denúncia formal apresentada contra o influenciador e outros dois investigados.
Gabriel Spalone é acusado de integrar fraude sofisticada com Pix
Segundo o Ministério Público, o esquema investigado teria ocorrido em fevereiro de 2025. A acusação aponta que os envolvidos utilizaram credenciais legítimas vinculadas a uma empresa prestadora de serviços do Banco Itaú para realizar transferências indevidas.
De acordo com a denúncia, mais de 600 operações via Pix foram executadas em um curto período, partindo de dez contas bancárias diferentes. O montante total movimentado teria alcançado R$ 146 milhões. Desse valor, cerca de R$ 107 milhões foram posteriormente recuperados por meio de estornos.
A investigação atribui aos acusados atuação coordenada, com planejamento prévio e utilização de recursos tecnológicos avançados. O Ministério Público sustenta que houve repasses financeiros para contas pessoais e empresariais ligadas aos investigados, inclusive com movimentações identificadas fora do território nacional.
Denúncias e enquadramento jurídico
Gabriel Spalone foi denunciado pelos crimes de furto qualificado e associação criminosa. Além dele, também figuram como réus Guilherme Sateles Coelho e Jesse Mariano da Silva.
A promotora responsável pelo caso classificou o grupo como uma estrutura criminosa organizada, com divisão de tarefas, capacidade financeira e conhecimento técnico específico. Conforme os autos, os três teriam atuado de forma estável e articulada na execução das transferências consideradas irregulares.
O processo segue em tramitação na Justiça de São Paulo, e os investigados permanecem respondendo às acusações conforme os ritos legais estabelecidos.

