O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta terça-feira (27) manter a prisão preventiva do empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. A determinação também definiu a permanência do investigado em área específica do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, medida adotada por razões de segurança e preservação da integridade física do detento.
Decisão do STF sobre a prisão de Careca
A manutenção da prisão foi confirmada após solicitação da Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seape/DF). O órgão pediu a transferência do empresário para o Bloco V da Papuda, setor destinado a presos que, por características pessoais ou pela repercussão dos fatos investigados, não podem permanecer em contato com a população carcerária em geral.
A medida atende a orientação expressa do ministro André Mendonça no mandado de prisão preventiva. No documento, o magistrado determinou que o custodiado fosse mantido em local compatível com sua condição pessoal, assegurando proteção física e evitando riscos decorrentes da exposição no sistema prisional comum.
Custódia especial no complexo da papuda
O Bloco V é utilizado para custodiar presos que exigem cuidados diferenciados, seja por ameaças potenciais, seja pela natureza dos crimes investigados. Segundo a administração penitenciária, a transferência busca cumprir rigorosamente a ordem judicial e preservar a integridade do detento enquanto o processo segue em andamento.
Investigação da operação sem desconto
Antonio Carlos Camilo Antunes é um dos alvos da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal para apurar irregularidades envolvendo descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As apurações começaram no ano passado e apontam a existência de um esquema voltado ao desvio de mensalidades associativas cobradas sem autorização dos beneficiários.
De acordo com a Polícia Federal, o Careca teria atuado por meio de empresas de fachada, utilizadas para receber e direcionar valores provenientes dessas cobranças irregulares. Durante o cumprimento de mandados, agentes apreenderam veículos de luxo, entre eles modelos das marcas BMW e Porsche, localizados em endereços ligados ao empresário.
Prisão e desdobramentos do caso
O investigado está preso desde setembro do ano passado no presídio da Papuda. As investigações seguem em andamento, com análise de documentos, movimentações financeiras e vínculos empresariais relacionados ao suposto esquema de fraudes contra beneficiários do INSS.
No âmbito político, o empresário prestou depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Na ocasião, ele negou envolvimento nos desvios e afirmou que apresentaria à Polícia Federal documentos para comprovar a legalidade de suas atividades comerciais.

